A revolução cultural do e-reader.

Para aqueles que já viveram um pouco mais, ainda tem memória e relembram o passado, a tecnologia invariavelmente mudou nossa rotina, telefonia móvel era coisa de super espião, escondida nos sapatofones; você retirava dinheiro na sua agência bancária, onde a caixa podia pegar o cheque e conferir sua assinatura com a de uma ficha; escrevíamos cartas para falar com nossos entes distantes, colocávamos em um envelope lacrado e com um selo colado, para indicar que pagamos a taxa de seu transporte, e lá ia por mar e terra até semanas ou meses depois chegar a seu destino; diante de tudo isso o e-reader é apenas mais uma, e em vez de esperar que um livro seja impresso, distribuído atravessando mar e terra, adquirido na livraria, só para depois ser lido, compramos ou baixamos da internet de forma instantânea, às vezes até diretamente do próprio autor sem intermediários; ninguém reclama de precisar de um computador, celular ou tablet para ler e-mails, não vi ainda ninguém reclamar que sente falta do cheiro do papel ou do perfume e da demora em chegar das cartas, e-mail é simplesmente mais prático, e mesmo quem queira escrever como se escrevia nas cartas, o e-mail aceita, mas não sei por qual ironia do destino a escrita das cartas condensou-se ao imediatismo do telegrama, que era contado por palavras para ter o seu valor, hoje um texto grande ou pequeno custa o mesmo no e-mail, e chega igualmente rápido. Sinceramente, não vi qualquer movimento contra e-mails, celulares, cartões de banco e todo o resto, mas o e-reader é tabu, fere uma lógica de materialismo do conhecimento, traz um acesso nunca antes imaginado aos conteúdos culturais, adotar um e-reader não é questão de ideologia, ele é simplesmente mais prático e igualmente confortável, como o livro de papel, a literatura nada perde, a cultura nada perde, muito ao contrário, ganha.

Deve-se perguntar o que o e-reader muda para entender o motivo de ser tão combatido, e muda apenas uma coisa, torna o livro acessível! Ninguém teve problemas com a leitura em tela de computador pois ela é impraticável, pode ser feito, mas é um suplício, tablets também não são tão combatidos, eles fazem outras coisas além de ler, e funcionam mal para leitura! Tudo que o e-reader faz é servir para ler muito bem, e justamente por isso é tão combatido, ele é o livro, todos os livros, que gradualmente eram suprimidos de sua importância e vida social. O modernismo acéfalo desprezou a cultura, e essa parte podre do modernismo é a única representada no que chamam pós-modernismo, uma literatura que guia-se pela ignorância e imbecilidade, o historicismo criando seus frutos de mediocridade, seus dogmas mais rígidos que os antigos. O acesso irrestrito ao conhecimento aos poucos está desmascarando as fraudes, aqueles que se diziam sábios, mas não são; os Anytus e Meletus encarregam-se de acusar este simples aparelhinho de blasfêmia, e apesar de ser capaz de carregar cultura, conhecimento e literatura, muitas de qualidade e gratuitas, pode corromper os jovens. Seus acusadores pedem a morte, pois é justamente a cultura antiga e desprezada pela parte podre do modernismo que está gratuita, livre de acesso pago que restringe seu conhecimento aos de posses. As máscaras caem, sábios mostram-se tolos, professores doutrinadores e humanistas monstros que odeiam e querem a destruição de tudo que existe de bom e nobre na alma humana.

Ao mesmo tempo que a falta de acesso a livros era uma barreira, também é uma boa desculpa para os que escolheram a ignorância e uma boa defesa a quem escolheu falsificar a sapiência. Eis que com a queda das barreiras o homem inferior não tem mais esconderijo, aquele que não encara um texto mais longo mostra seus aleijões intelectuais auto-impostos, é um deformado por escolha, um jumento de profissão. Cabe agora uma boa revolução cultural, aquela que sob este nome queimou livros e pessoas, pois estes tinham a verdade: “queimem o e-reader! Acabem com este aparelho profano!”, dizem, pois mostra que sob a bandeira da grande bondade encontra-se apenas perfídia e maldade. “Aparelhinho herege”.

As coisas mudam, a sociedade muda, mas a alma humana muito pouco, menos ainda nossos genes, a civilização mudou mais rápido que o conteúdo do núcleo celular, programado para a terra selvagem. Quem prega o futuro sem passado advoga pela destruição do homem, a cultura sem passado é apenas ignorância, irrelevância. De pequenas tribos nômades para mega-sociedades complexas algo mudou, não nossos genes, que foram programados para viver em grupos pequenos, mas à sua revelia vivem em sociedades ultra complexas em constante mudança. Se não há herança genética que de conta do recado, há a herança cultural, é ela que nos situa neste clima inóspito a nossos corpos e mentes, é ela que tenta formatar esta realidade ao contorno minimamente humano.

Política é fundamentalmente a interação do homem com outros homens, e isso dá-se naturalmente, tanto que a palavra veio das cidades antigas que congregavam pessoas, pois política, queira ou não é o que todos fazemos, mas na polis ateniense cada cidadão tinha sua voz, nem todos eram cidadãos, mulheres e escravos nem eram considerados; foi aí que nasceu o embrião democrático, diferente de como organizou-se a oligarquia espartana. A política ateniense era praticada por todos os cidadãos na forma da argumentação, tanto que professores eram contratados para educar o povo, os primeiros classe média “assalariados”, que não tinham terras nem posses mas tinham conhecimento, e é isso que comerciavam, e como hoje, existiam os grandes como Sócrates e os medíocres denominados genericamente sofistas, que em vez de entrar no diálogo frontal e livre de subterfúgios, construíram diversas armadilhas dialéticas com o intuído de fugir à argumentação objetiva. Bom, para ser exato Sócrates nem poderia ser um “professor” pois tinha lá suas poucas posses, mas era um velho feio e chato que andava a questionar as pessoas e atrair aos jovens com seus ensinamentos, não era exatamente um sofista, mas eles o consideravam um concorrente, e o cara era bom, por isso o odiavam, tanto que “democraticamente” tramaram a sua morte ou exílio, creio que os sofistas não podiam votar pois nem eram atenienses, mas influenciavam os votantes, eram seus professores. É interessante notar que foi já nessa época que surgiu a figura do demagogo, que falava o que o povo queria ouvir e usava este poder na assembléia para assumir o poder e governar de forma ditatorial, aqueles que usam a democracia contra a própria democracia, parece-lhe familiar? Abra os jornais de hoje…  Os atenienses cresceram nas artes, nas ciências, pois são disciplinas que florescem da livre circulação de idéias, já Esparta fortificou-se na arte da guerra, pois soldados bem treinados e ignorantes é tudo que a destruição precisa. Esparta ganhou a guerra, mas o espírito de Atenas vive até hoje.

Dizem que no início da formação das assembléias Atenas tinha cerca de quatrocentas mil pessoas, sendo que destes uns noventa mil eram considerados cidadãos com direito de voz e voto nas assembléias, estabeleceu-se a igualdade perante às leis e o direito à fala de todos, as assembléias aconteciam mensalmente e precisava de um quorum mínimo de seis mil cidadãos educados. A educação era necessária, como alguém poderia debater na assembléia sem educação, sem saber do que se fala, sem saber como falar? É educação parte fundamental da democracia, e se esta aparente divergência de opiniões pesou para o lado de Esparta e a liga do peloponeso, foi também ela a fonte da resistência ao governo tirânico imposto pelos conquistadores, mesmo que sem o antigo esplendor, práticas democráticas voltaram a ser utilizadas.

A antiga Atenas com todo seu esplendor tinha apenas quatrocentas mil pessoas, cerca da metade eram estrangeiros residentes, outro quarto mulheres sem direito a voto e noventa mil eleitores, legisladores e oradores. São Paulo tem quase doze milhões de pessoas, e o Brasil quase duzentos milhões, será que temos uma sociedade mais complexa do que Atenas? Por óbvio que sim, e exercer a democracia em um meio social tão complexo exige muito mais educação. Geneticamente o homem foi programado para interagir politicamente com quem ele encontra-se, que eram as pessoas de seu grupo, pessoas que vê todo dia e conhece, mas estas mega-sociedades pedem que o morador do Oiapoque opine sobre a vida do cidadão do Chuí, distando mais de quatro mil quilômetros um do outro, e todas as cidades no meio; isso só para dar a dimensão do problema. A democracia é o único sistema que permite a auto-crítica e o aperfeiçoamento, nossa democracia não é a mesma de Atenas, nem a mesma de outros países contemporâneos, inclusive uns até tem a cara de pau de chamar a mais nojenta ditadura de democracia. Democracia por não estar codificada nos genes necessita de educação, ninguém nasce democrático, aprende, e aprende pois é a maneira que melhor encontramos para dirimir os conflitos, democracia não é um dogma rígido, e qualquer um que queira impor democracia como dogma fechado é por natureza um não democrata; esta mutabilidade que permite o aperfeiçoamento torna ainda mais exigente o nível educacional para viver em uma sociedade democrática, pois sob este manto também vivem os piores ditadores, cabe ao cidadão o discernimento para diferenciar um de outro e evitar a praga dos demagogos.

De todas as pragas que empesteiam as culturas democráticas, hoje temos mais uma, que é a democracia representativa, pois os representantes não representam ninguém além de seus próprios umbigos, são todos demagogos por natureza e hipócritas, mentem desavergonhadamente em suas campanhas eleitorais e o povo que lhe emprestou o voto não pode tirar quando traído, se existe uma democracia representativa, quando representantes não representam não há democracia! E na próxima legislatura, mesmo que os antigos hipócritas não sejam votados, novos assumem os cargos e novamente mentem e o povo não tem como retirar a confiança do voto que foi quebrada. Se queremos democracia de verdade, no momento exato em que um político profissional quebra sua promessa com o cidadão, é necessário que o cidadão possa retirar o voto, pois este não mais o representa, e já temos condições de fazer isso! A tecnologia já permite, é só querer, pois a nossa democracia virou a mais pura demagogia.

Democracia precisa de educação, educação precisa de argumentação, e argumentação necessita da liberdade de expressão para que todos os argumentos tenham chance de aparecer; sociedades complexas precisam de educação e argumentação capaz de lidar com todos os múltiplos aspectos da vida em sociedade. Há espaço na rua para esta argumentação ocorrer? Não! Por maior que seja o movimento ele não reúne qualquer porcentagem significativa de uma mega-sociedade, e o que é pior, não há espaço para a argumentação complexa, você pode gritar umas palavras de ordem, umas palavrinhas em um cartaz, mas isso não dá conta de qualquer argumentação de base lógica, muito menos as complexas. Há toda uma mística da voz das ruas, aparece na TV, mas democraticamente falando representam apenas o peido da mosca do cavalo do bandido, é apenas uma violência, mostrar que uma pequena parcela do povo tem condições de ir às vias de fato. Hoje a verdadeira manifestação democrática encontra-se na internet, é aqui que temos condições de desenvolver temas complexos sem ser obrigados à leviandade que sempre produz distorções grosseiras e ignorância. Parte da vida social hoje acontece na internet, e ela é um meio mais capaz de conduzir uma argumentação em mega-sociedades.

Como vocês viram na Grécia antiga os demagogos usavam a democracia para impor a ditadura, mas a fundação democrática, ou a possibilidade de pessoas com idéias divergentes viverem em paz formou a base de um sistema político que permitiu o crescimento dos estados, isso culminou com o império romano. Antes os vencidos na guerra eram aniquilados, sua cultura destruída e seus costumes proscritos, gerando muita revolta, em dado momento grandes impérios implodiam por conflitos internos, Alexandre muito bem instruído percebeu essa força e o império macedônico tornou-se o maior de seu tempo. Os herdeiros do filho da loba, ao deporem sua monarquia, além do conceito de democracia criaram a cultura da “res publica” que mais que a vontade do cidadão, disciplinam como um governo deve agir para o bem do povo. Funcionou em parte, mas, lembra dos demagogos, aqueles que usavam da democracia para instituir a ditadura, também estavam presentes cuidando para que a república romana virasse o império romano. Roma também precisava de educação, informação, discute-se ainda hoje as causas da queda do império, e muitos creditam exclusivamente às invasões bárbaras, como meus antigos e míopes livros de história da era do colégio, mas foi um processo mais longo e lento de degradação das instituições, os bárbaros apenas deram a machadada final. Nas estradas é que circulava o conhecimento e a estrutura de Roma, as estradas eram a internet do império romano, a desestabilização da rede de estradas acabou de vez com as instituições, e assim tiranetes locais e usurpadores bárbaros, além de esfacelar o império, regrediram a humanidade literalmente à barbárie. Toda esta horda de ditadores e seus familiares formou o que no futuro chamou-se aristocracia moderna. A igreja ajudou a consolidar o poder desta aristocracia creditando-lhes um direito divido à tirania, aristocracia significa “os melhores” na acepção dos gregos, estes tais melhores o eram por direito de nascença, por direito divino, não eram confrontados, não podiam ser desafiados.

Democracia precisa de liberdade de expressão, vem antes do voto, pois seu cerne é a argumentação, que só acontece em terrenos verdadeiros se há liberdade, veja os supostos “melhores”, os aristocratas, além de impedirem a educação para o povo, nunca podiam ser confrontados por não aristocratas, uma fuga clara da argumentação honesta. Como é a argumentação que fomenta a educação de verdade e o avanço do conhecimento, com um ente pregador dogmático que não favorece a livre expressão, a deterioração das estradas e aristocráticos tiranetes que escravizam o povo em seus feudos, as idéias gregas foram esquecidas, desapareceram do imaginário popular e assim amargamos um milênio negro. O fim da escuridão veio com uma tecnologia que tornava o conhecimento mais acessível: a prensa de Gutenberg, foi com ela que as idéias gregas voltaram a circular, mas muitos não gostaram, e por mais que os livros ainda fossem caros, uma pequena burguesia composta de plebeus comerciantes e artesãos começou a desafiar a aristocracia imposta e com suas posses adquirir conhecimento.

Note que a aristocracia era definida por uma linhagem sanguínea, um plebeu, mesmo rico, nunca poderia ser um aristocrata, foi a educação de verdade que fez a diferença, a burguesia “ascendeu de classe”, apesar da aristocracia considerar-se um clube fechado, que por ironia do destino veio a apodrecer seus genes com excessivos casamentos consangüíneos. A genética aristocrata é hoje cheia de bombas genéticas, inferior à plebe que não limitou seus genes.

Rousseau apregoou os vícios dos aristocratas e da burguesia, mas creditou-os à educação. Que estupidez! Mas muitos inspiraram-se em seus escritos, os que sentavam-se à esquerda do presidente do parlamento francês, era uma briga por poder, e é necessário notar que do lado esquerdo também sentavam-se republicanos. Parte dos assentos da esquerda era dos socialistas, que pautados pela existência das classes sociais, pregaram sua destruição através de um regime em que, em teoria, todos seriam iguais, aliás, mais iguais, seriam todos obrigados a ser idênticos, negando a realidade diversa da própria raça humana, isso tornou-se uma ideologia, algo que não pode ser contestado, a mesma semente de ignorância que criou a aristocracia. À direita no parlamento sentavam os apoiadores das maneiras tradicionais, onde o anti-argumento era simplesmente: “se sempre foi feito assim, assim deve ser feito”, sem questionamentos, mais uma corrente da ignorância, aliados a eles estava a igreja, mais que costumes tinham um dogma bem desenvolvido, não se questiona um dogma. É preciso salientar que a constituição que norteava a república romana não constituía leis escritas, mas sim costumes, que ainda norteiam as repúblicas modernas.

Enquanto as forças tradicionais tinham o estado e suas forças armadas para manter o poder, os socialistas usavam o povo como seus soldados, o estado tinha que pagar seus combatentes, os socialistas não, era só engana-los ideologicamente para que lutassem por suas causas, essa história de sociedade sem classe era papo para boi dormir, útil para enganar os ignorantes a lutar por suas causas, mas no momento que atingiram o poder a coisa foi diferente, criaram a burguesia do capital alheio, a aristocracia dos donos da voz do povo e vivem até hoje banhados nos mesmos privilégios que usavam para fomentar a inveja no povo ignorante. Sem a ignorância os marxistas não teriam soldados, nunca teriam prosperado, e contribuiu para esta causa o progressismo, que prega a ignorância do passado como o oposto do tradicionalismo acéfalo. E é aqui que tem lugar as revoluções culturais que queimaram livros e pessoas, qualquer traço de intelectualidade verdadeira deveria ser eliminado, pois podia inadvertidamente educar o povo. É incrível, mas criou-se uma cultura da ignorância baseada no progressismo que nada mais é que a velha rotina sofista revisitada, mas agora sob o nome de relativismo. A busca honesta da verdade foi proscrita, foi decretado o fim da verdade, e um monte de pseudo intelectuais formou-se sob a ideologia ignorante de Hegel, Foucault, Adorno e Horkheimer, além de outros, disciplinas que tem em sua base um progressismo acéfalo, sofismo, relativismo, e um ódio mortal a toda busca da verdade, pois ela os inferioriza e mostra a crueza de sua ignorância. Mais do que em qualquer outra disciplina humana este culto à ignorância tomou de assalto as artes, e em especial a literatura.

Hoje com a acessibilidade dos livros através da internet e o conforto de leitura proporcionado pelos e-readers, mais que os livros dos grandes escritores, estão à disposição gratuitos também seus outros escritos, e dá para ver que as penas estavam ativas mais que nos romances, escreviam sobre tudo, principalmente sobre o meio em que viviam, as grandes obras não nasceram do nada, mas do trabalho constante com a escrita, e da elaboração intelectual da própria sociedade, todo esse material funciona como uma base invisível para os grandes escritos. George Orwell não elaborou “1984” e  “A Revolução dos Bichos” do nada, se ler seus escritos verá que a base foi sua realidade, hoje em 2014 vivemos uma realidade muito próxima à imaginada em 1984, pois a base já estava lá, na sociedade inglesa. Leiam os escritos de Orwell,  verão que a Inglaterra pré-guerra já padecia dos mesmos males que vivemos hoje: o estímulo ativo à ignorância através do espalhamento das idéias marxistas e pós-modernas, eles acreditavam no Hitler, o líder esquerdista era louvado nos jornais, qualquer menção pejorativa era desestimulada, atacada de forma sutil e se insistissem até feroz, não se podia falar no assunto, existia uma censura branca, estão vendo uma semelhança com o que existe hoje? Não é mera coincidência, sabe essa história do politicamente correto que vocês acham moderninha, já estava lá! O politicamente correto é uma maneira de evitar que certas questões escolhidas nunca sejam vocalizadas ou debatidas por proibir a própria língua, a novilíngua não foi uma invenção do Orwell, existiu, ainda existe! Peço que não acreditem em mim, mas leiam os escritos não ficcionais de Orwell, é esclarecedor, apenas uma proscrita minoria via em Hitler um monstro, ele era prezado como o grande líder reformista do século vinte, viu alguma semelhança do que vivemos hoje? A ignorância e as mentiras de Hitler eram relevadas na grande mídia, ele podia falar qualquer besteira que seria aplaudido, e isso na Inglaterra, não na Alemanha, viram mais alguma semelhança com o que vivemos hoje? Incrível não! Setenta anos depois e ainda louvamos o mesmo tipo de monstro progressista, sob a mesma bandeira, a modernidade como valor vazio da ignorância. A Inglaterra pré-guerra não aceitava a argumentação frontal e verdadeira, quem tentasse trazer a verdade era banido, veja a vida de Churchill.

Não é a “Revolução Cultural” um perfeito exemplo de novilíngua? Sob este nome Mao expurgou a cultura e fomentou a ignorância, toda cultura foi taxada burguesa para criar um pré-conceito que já exclui o debate, desta maneira colocam uma etiqueta no argumento, o que impede que se pense a respeito, mais uma versão do nosso politicamente correto, percebem o nível de policiamento do pensamento em que vivemos hoje? A liberdade de expressão está em nossa constituição, mas certos temas não podem ser nem mesmo debatidos.

Chegamos hoje a um ponto bizarro onde a cultura e principalmente a literatura perderam qualquer parâmetro de verdade, hoje o escritor quer ser artista antes de ser escritor, é um cacoete ridículo, pois é uma inversão que nunca permite a verdade: o escritor escreve, é seu ofício, e se for muito bom faz arte, o mesmo pode-se dizer de um pianista, mas não se faz arte antes de mestrar a mecânica da escrita ou dominar o piano. Estes artistas são apenas impostores que copiam descaradamente as doxas do modernismo do que seria a arte nos textos, e o que é pior, ninguém é capaz de perceber o embuste, e assim a cultura moderna torna-se um empilhamento de lixo inútil que contribui para a ignorância.

Uma das formas ativas de promover a ignorância é, por exemplo, dizer que não se gosta de falar sobre política, e assim impedir que as pessoas se eduquem, pois sem falar no assunto os monstros ficam livres para cometer suas atrocidades, vejam: toda vez devo lembrar que o PT e o governo Dilma ainda cobra imposto no e-reader a despeito do direito constitucional e o fato aberrante do aumento do analfabetismo no Brasil; como viram, o livro livre é inimigo das ideologias de esquerda e sempre foi combatido por aqueles que precisam da mentira, e a despeito de termos um instituto constitucional que proíbe imposto para evitar a censura, ela é imposta sobre o e-reader e ebooks, a versão mais popular que se pode ter da literatura. Mesmo que não falemos nada, o imposto ainda será cobrado e será uma barreira à educação dos mais pobres, e é isso que querem, que esqueçamos enquanto eles perpetram atrocidades, vejam como o aumento do analfabetismo não encontra espaço nos jornais, é um assunto gravíssimo que deveria ser pauta diária, mas não, é escondido da mesma maneira que a imprensa ocultou as atrocidades de Hitler. Faz mais de vinte anos que incentivo a leitura dos jovens e pude ver seus frutos nos adultos que por ventura ainda encontro, mas é doído ver a perda de jovens inteligentes que não puderam progredir na leitura por falta de condições financeiras, é fácil instigar a leitura, afinal, é uma coisa prazerosa, mas é uma coisa que tem que ter seguimento, e a falta de meios financeiros impede que se continue, por isso vejo na tecnologia e-reader uma possibilidade incrível de manter os jovens lendo, pois mesmo sem gastar nem mais um tostão podem continuar lendo a imensidão de material de qualidade que existe livre. Leitura é o principal inimigo da ignorância, o maior mal que nos assola hoje, pois tudo decorre dela. O e-reader pode ser o veículo de uma verdadeira revolução cultural em favor da cultura, não para destruí-la. Argumentação honesta e cultura são base de toda educação, de todo avanço científico, de todo avanço das idéias. A liberdade de expressão é fundamental, pois sem ela não temos argumentos para destruir, é importante que nossos adversários possam falar livremente e expor seus argumentos, para que os possamos destruir, e no caso de fracassarmos, sucumbimos a ele, da mesma maneira que hoje a terra gira em torno do sol. Aqueles que não podem sequer ouvir os argumentos pois perdem, que não podem enfrentar a verdade, são os que não tem condições de destruir os argumentos, mas não podem conviver com eles, nem os aceitar, precisam destruir seus portadores, pessoas, pois a verdade sempre tem mais força que a mentira.

Alex

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Verdades sobre leitura e literatura.

Livros acompanham homem e sociedade, se nossa herança animal está no código genético, guardado no alfabeto químico do DNA; a herança humana está no código das letras, guardada no interior dos livros. Se caminhamos, acrescentamos, e mudamos nossa sociedade, grande parte vem do acúmulo do conhecimento depositado em livros. De todas as mídias que transportam o pensamento humano, a maior parte da cultura está em livros e no papel, até a música antiga, só chegou a nosso tempo pois alguém inventou uma maneira de registra-la em papel. O livro e a escrita não só são a forma mais simples de registro do pensamento, como é ainda hoje a mais efetiva forma de transmissão da herança intelectual.

Desta maneira podemos ver o grau superlativo de importância que toma a alfabetização, é ela que nos insere da natureza como humanos, herdeiros do pensamento de gerações passadas. Mas a tarefa de ensinar o uso das letras para nossas crias está cada vez mais deteriorada, como doença genética que transmite a seu descendente morte e sofrimento físico prematuro. Além do descaso, e da intenção de manter o povo ignorante para que não se diferencie dos animais dóceis de carga, há a ideologização estúpida da educação, mistificando o que é realmente alfabetizar e através das letras educar.

Desaprendemos a ensinar, alfabetizar que era simples, agora virou tarefa impossível, tudo por conta de uma ideologia educacional ignorante, a cartilha que ajudou milhares a ler hoje é demonizada, um absurdo, um desserviço à educação, ou pior, crime. O curso de magistério que ensinava professoras a alfabetizar, foi substituído pelo curso de pedagogia, que tem status universitário mas não ensina a alfabetizar. A cartilha permitia até que professores leigos alfabetizassem, vai me dizer que isso não é incrível? Tentei de todo modo encontrar as bases do tal construtivismo que agora substitui de maneira ineficiente o que já funcionava, dizem vir de Piaget, garanto, não só não há nada do tal construtivismo em Piaget como o próprio cerne do trabalho, tanto desenvolvimentista, como o epistemológico, são contrários ao que prega esta ideologia. A criança constrói sua lógica com base na lógica causal à sua volta, e a cartilha traz para a criança a lógica fonética da nossa língua, simples assim, associando o signo fonético grafado na página com a linguagem oral já dominada. Você pode nunca ter visto ou ouvido a palavra ‘rafrileque”, mas você sabe como falar em voz alta. Esta estupidez de palavra inteira em vez da lógica fonética que é inerente da nossa língua só atrasa e atrapalha o estudante, que demora ter a fluência necessária para ler um livro. Ao contrário do chinês e japonês onde um símbolo representa uma palavra e a criança só vai ler um jornal com onze anos, com o uso da cartilha que traz a lógica fonética, a criança já pode ler com sete ou oito anos. Mas graças à maravilha da ideologia educacional moderna, as pessoas saem semi-analfabetas da universidade!

Vamos ser sinceros, ou existe uma burrice virulenta no sistema de ensino, ou há intenção explícita de deixar o povo ignorante. Não há outra hipótese. É tão óbvio, com cartilha, professoras do curso de magistério sem curso universitário, as crianças liam no máximo com oito anos, hoje saem analfabetos funcionais. Não é à toa que a maior dor de cabeça do governo militar eram os estudantes, problema resolvido, com estudantes ignorantes podemos voltar à ditadura sem oposição. E não é só isso, como é chato um mundo empesteado de ignorância, é tão mais divertido ter pessoas cultas para conversar, debater com opiniões qualificadas, apreciar nuances complexas invisíveis a olhos cegos. Há mais tecnologia, hoje o acesso à informação é muito mais simples, e com o e-reader e-ink, a informação de qualidade dos livros torna-se acessível a muita gente, mas é preciso educação. E o início de tudo, a porta de entrada, a chave para herdar humanidade, está na alfabetização.

Livros são o complemento indispensável, a outra parte, a pedra basilar da educação, se alfabetização é o meio, o livro é o fim. Não há propósito de alfabetização sem livros, a língua portuguesa é inútil sem livros, corpo sem vida; e isto já é conhecido há muito, a frase: “um aposento sem livros é como um corpo sem alma” foi dita por Cícero a mais de dois milênios, como eu sei? Livros! Se palavra é meio, o pensamento humano é o fim, livro seu guardião, depositário fiel do pensamento dos antepassados.

Leitura sem liberdade nada mais é que doutrinação, tudo está em livros, cabe a nós escolher, e através destas escolhas, escolhas de vida, é que se define o ser humano, quem não escolhe, quem anda em brete, é gado, animal, não humano, pois a este a inteligência deu a possibilidade de escolha. Pegue um livro de um assunto que gosta e mesmo mal escrito será bom, pegue um livro de um assunto que não lhe interessa, e seja forçado a ler, e mesmo escrito por um mestre será um pânico; não existem universalidades, só liberdade. E é assim na república de livros, liberdade para descobrir seus gostos, liberdade para trilhar o seu caminho, e antes de tudo escolha consciente, a única fonte de iluminação do homem. E isto está em livros, veja Kant a mais de duzentos anos atrás.

Alfabetização como chave para o mundo dos livros, e livros como a porta de saída da ignorância. Mas não pense que todo livro é igual, ler é um aprendizado constante, progressivo, deve-se entender que existe escrita mais simples, para assuntos mais simples, e existe escrita mais complexa, para assuntos mais complexos, e não importa o livro, se o assunto não é de seu interesse pessoal, não importa quão bem ou mal escrito, quão simples ou complexo, o tal livro não vai lhe interessar, e não há pecado, não existem obras obrigatórias, o mundo dos livros é vasto e os caminhos são infinitos, para todas as pessoas diversas que caminham sobre a terra e que ainda irão caminhar.

Assim, qualquer literatura forçada é derrogatória ao prazer da leitura, ninguém pode obrigar um livro, mas podemos seduzir. Literatura forçada é pior que casamento arranjado, mas sedução, esta sim é garantia de união.

Pessoas alfabetizadas precisam treinar ler, desenvolver suas habilidades, e isto só acontece lendo, é uma jornada sem fim, quem abandona o caminho, deixa de lado a própria vida como humano, perde sua herança. E assim sem livros acessíveis, sem liberdade de escolha, não há leitura, muito menos literatura, nem humanidade. É preciso que as pessoas tenham acesso aos livros para que treinem a leitura, desde a idade mais nova; se não lerem, não praticam, não aprendem e permanecem semi-analfabetas; sem livros círculo vicioso, com livros virtuoso, e como para desfrutar da literatura é necessária liberdade, é preciso acesso a muitos livros para achar o que se deseja ler. A escassez monetária é limitante, era mais nos livros de papel, menor nos eletrônicos que podem ser replicados sem custo, lógico que o imposto é um empecilho, mas é a prova cabal da vergonha que mostra membros deste governo contra a educação. Embrulha-me o estômago só de pensar em como este governo do PT é mesquinho, mantendo os brasileiros ignorantes, em curral para animal, curral eleitoral, onde a única porta de saída, educação, está bloqueada!

A luta do iluminismo ainda não terminou, ou nem começou, e o caminho do esclarecimento está nos livros, lidos, experimentados, pensados com a própria cabeça e não engolidos e vomitados. É impressionante como encontraremos a mais pura ignorância disfarçada das mais variadas e nefastas ideologias, e mais assustador é ver como muitos ditos intelectuais são em realidade ignorantes funcionais que deixaram de pensar e raciocinar com a própria cabeça para recitar dogmas que não se deram o trabalho de elaborar com o próprio cérebro.

Escrever é meio, o que se escreve é fim, o assunto do qual queremos falar, a história que desejamos contar. Assim encontramos alguns casos: quem sabe escrever e tem algo a dizer, quem não sabe escrever e não tem nada a dizer, quem sabe escrever e não tem nada a dizer e quem não sabe escrever mas tem algo a dizer. E com um pouco mais de variação todos os livros caem nestas categorias. Em teoria o melhor livro obviamente é de quem sabe escrever e tem algo a dizer, mas não é o que se pensa hoje em dia, há uma virulenta falta de objetividade nos critérios para avaliar literatura, um pouco culpa de uma seqüência histórica ruim, outra parte da falta de senso que hoje persiste nesta seqüência ruim.

A grosso modo alguns dos chamados modernistas ainda olhavam para o passado, para a história, mas outra parte decidiu romper a linha e esquecer o passado, e foi tudo que sobrou no pós-modernismo, fim da arte, fim da vida. Uma maneira de libertar a arte foi ater-se exclusivamente à forma, e assim em nosso tempo a arte está livre, totalmente livre, do passado, da vida, da própria arte. E os pseudo-intelectuais andam por aí a propagar esta ideologia de morte, atendo-se à forma, à forma já estereotipada no passado modernista, e esquecendo que livros devem ter conteúdo, o fim para o qual se escrevia.

É preciso ter claro o caminho historicista que levou ao abismo, à morte da arte. A história é velha, o historicismo é novo; historiadores tem milhares de anos, historicismo poucas centenas. É preciso notar o quanto de ideologia e inutilidade vem embutido no historicismo, e quando uma ferramenta, um meio, por ignorância vira fim. Grande parte da culpa está na visão hegeliana que lambuzou o maxismo, e o subseqüente marxismo empesteou quase toda dita “ciência” social. O relativismo histórico hegeliano, infundiu-se na idéia boba da inevitabilidade do desfecho das doutrinas marxistas, e assim levou a esta cisma estúpida que emporcalha o pensamento moderno. Não que o pensamento de Hegel e Marx seja inútil, são importantes como todos dogmas passados, e assim como Aritóteles usado pela igreja de forma dogmática foi um mal, o uso dogmático do hegelianismo camuflado em Marx, deu origem a este historicismo que substitui a história, a ferramenta como fim e não como meio.

O abismo desta linha historicista foi bem desfrutado por Gertrude Stein, mas ela, ao contrário de muitos modernistas que esqueceram a história, conhecia o seu passado, experimentou até chegar ao abismo, a morte da escrita no momento que aboliu o tempo, a relação causal da escrita, nada sobrou, ser estéril que não logra deixar descendentes de tão mutilado, fim de uma linhagem. O incrível é como hoje em dia ainda insistem que todos os caminhos da literatura devem levar ao abismo, a intensidade da vida alardeada por Baudelaire, é mais desfrutada se com a consciência preconizada por Kant, não há vida intensa sem ser consciente para perceber, entender e desfrutar dos sabores e gostos superlativos.

Literatura como arte, como fim último da escrita e leitura precisa desvencilhar-se de seu passado niilista, entender de onde vem seus genes, e saber que sem eles nada há. O ineditismo narrativo tem cobrado preço alto da literatura, e vimos o fim no trabalho de Miss Stein. Construir máquinas narrativas inéditas acaba virando um clichê que repele o conteúdo, prioriza a forma, e de certa maneira perde o objetivo da escrita, como a comida que levou muito sal, passa do ponto. Podemos ver bem este dilema na obra de Joyce que culmina com Ulysses e declina abruptamente em Finnegans Wake, que perde o apelo ao leitor normal e só cativa a quem estuda literatura pura ou aprecia apenas arte narrativa. É preciso entender que escrever ainda é um meio de comunicação e quando deixa de comunicar, perdeu sua função, há que existir um equilíbrio, um balanço, e é neste equilíbrio que encontra-se a arte última, ou apenas arte. Qualquer artífice escreve, e se dotado de grande habilidade, produz arte. A exclusiva prioridade da forma pura já mostrou sua infertilidade, cabe a seus ideólogos perceberem que trilham o caminho de morte e mudar a rota.

Às vezes não percebemos como alfabetização, educação, leitura, literatura e arte estão completamente intrincados, compartimentalizamos o conhecimento em vasos estanques e impermeáveis que fermentaram seu próprio miasma, longe da exuberância da vida que permeia toda a obra humana, o diagnóstico último da patologia vem quando somos presenteados com ferramentas de imensa capacidade e ficamos impotentes, é assim com a internet e o e-reader, se um dia a prensa de Gutenberg nos permitiu sair de uma escuridão de mil anos, precisamos novamente achar a luz do iluminismo, e não deixar-se de forma passiva cair novamente na escuridão da ignorância. As ferramentas estão disponíveis, só nos resta usar, criar, ousar, desafiar, e só assim teremos a intensidade da vida almejada pro Baudelaire, sem mentiras, sem porres homéricos, mas plena. Se há algo que sabemos é que esta vida não veio com manual de instruções, e é nossa obrigação e prazer usa-la da melhor forma possível, afinal, quando acabar-se, aí sim nada teremos. Vivemos pois a vida merece, não desperdicemos o legado, e aproveitemos da sabedoria e cultura de nossos antepassados para viver mais, com maior intensidade, plenitude e consciência, e é nos livros que se encontram estes legados, nos permite viver e deixar a outros nossa contribuição, para que do que tivemos, eles tenham mais, por isso o passado é importante, a história e sua compreensão, o fim da história é o fim da vida.

Leia, aprenda, desfrute, divirta-se e viva.

Alex

Argumentação e lógica

Do passado de nossa civilização herdamos uma linha histórica, um discurso e uma lógica, é a argumentação que tem evoluído a humanidade, guiada pela lógica, manifestação da causalidade. Nos antigos escritos gregos já se encontrava a semente: filosofia, fruto da argumentação e lógica em busca da verdade. Verdade mutante, paradigmática se usarmos um conceito moderno, difícil em sua acepção, concepção e aceitação.

A lógica causal entra em choque com todo sistema místico, e mesmo hoje, era da ciência, muitos lutam contra a lógica, sem bons argumentos, os mesmos dos sofistas de milhares de anos, uns de má intenção, outros apenas a justificar as crenças místicas irracionais. Mas a verdade é que a lógica é poderosa, e assim tem sido sua filha a ciência; fruto da argumentação constante e da adoção do melhor paradigma, o mais lógico.

A ferramenta da lógica é o debate, a argumentação, sem eles não há desafio, a hipótese deve ser colocada à prova, sem isto não prospera e não avança, mesmo que morra para dar lugar a idéias melhores, mais fortes, que tem mais lógica. E assim se avança o paradigma, nossa verdade temporária, “vero” enquanto viva e aceitando desafios.

Foi nas antigas BBSs que vislumbrei uma ferramenta poderosíssima de argumentação e lógica, fazendo com que os debates possam ser democratizados e acessíveis a todos. A ciência nada mais é que um longo debate, participar, mesmo que apenas como observador, é um processo de aprendizado, o mais valioso, e se achar que tem argumentos bons para compartilhar da discussão, é só apresenta-los, deixar a passividade e passar a ser um colaborador ativo no processo de caminhar em direção à verdade.

A palavra verdade tem sido prostituída e soa melhor na boca dos fanáticos religiosos do que do argumentador lógico, pois não há uma verdade única, apenas uma paradigmática, e devem ser confrontadas com a lógica para que fique apenas uma, o paradigma corrente, a verdade corrente, transitória, mas necessária para o avanço do pensamento. Desde os tempos antigos o relativismo se interpõe contra a verdade, e no momento que ele sucede em evitar o conflito, sem argumentação, é quando a busca para. Se a busca tem um fim, não sabemos, mas o caminho tem se provado frutífero, e se o relativismo traz a dúvida do fim, podemos nos apoiar nas glórias do caminho, estas insofismáveis.

As listas de discussão das antigas BBSs eram poderosas, se usadas pelas pessoas certas, da maneira correta; como toda ferramenta, pode ser bem ou má utilizada, mas nas regras antigas por conta da falta de espaço em servidores, divisou-se normas de debate para evitar a inutilidade e a impertinência, que podem acabar com a contenda. Só deveria postar quem tivesse bom argumento para contribuir com o tópico, todo o resto era considerado inutilidade que iria pesar no servidor de forma inútil, desta maneira, os debates podiam ficar limpos das impertinências improdutivas, aos moderadores era dado o poder de fazer cumprir as regras, deletando e advertindo os usuários que não se comportassem dentro do acordo.

Das BBSs surgiu a internet, mais abrangente, com mais pessoas que poderiam interagir, o espaço antes limitante tornou-se abundante, e as inutilidades tomaram conta, com gente gastando “posts” com comentários inócuos ou inúteis que atrapalham o bom andamento de uma discussão, coisas do tipo “valeu!” “Gostei” ou “concordo contigo”, que nada contribuem em proposições no debate, começaram a abundar, a tal ponto de solaparem o próprio debate.

Existe uma particularidade no debate escrito que nos antigos orais não existia, a possibilidade de ler e reler os argumentos anteriores e os submeter ao mais rígido escrutínio, assim, muitas das técnicas dialéticas desenvolvidas para ganhar um debate sem lógica, usando de truques, perdem validade no meio escrito. Isso só vem a bem.

Da antiguidade a argumentação vem como modalidade literária na forma da filosofia, mas quando a ciência tomou para si o uso metódico da lógica através do método científico, como forma de dirimir as dúvidas, sobrou à filosofia apenas o campo infrutífero da metafísica das idéias, que não podem ser provadas ou desaprovadas, um exercício mental de conceitos órfãos, e sem lógica; perdeu todo seu poder e pode ser confundida com todo discurso banal e inútil.

Não que a ciência tenha saído incólume de sua separação com a filosofia, tornou-se cada vez mais técnica, míope, olhando apenas para o pouco que a visão fraca alcança, seccionando áreas do conhecimento em pedaços inúteis e estéreis sem o entendimento do todo. Ganhou uma técnica poderosa, mas por tornar-se exclusivamente técnica, perdeu a inspiração, a visão maior, sem o qual partes sem o todo perdem sentido. Há de se especificar que técnica não é ciência nem lógica, apenas hábito, procedimento repetitivo que não desafia os velhos dogmas ou nem preocupa-se em conhece-los. É preciso pensamento crítico, conhecimento e visão do todo para questionar, desafiar o conhecido e aventurar-se no desconhecido.

A internet e suas listas de discussões são ferramenta poderosa, hoje na forma dos fóruns, debates que estremecem a terra podem ocorrer, mas nada acontece. O que passa? Será que as pessoas querem tanto assim procurar a verdade? Para a maioria diria que não, contentam-se em forragear como todo animal irracional, mas e o cientista, o acadêmico, não deveriam estes, por força de seu ofício buscarem a verdade e o esclarecimento do povo, uma vez que a maioria das universidades é financiada por dinheiro público? Que desculpas dão para acovardarem-se perante o contraditório que fará prosperar a verdade que dizem procurar? Quer a realidade? A maioria dos ditos cientistas e acadêmicos é tão medíocre como a população em geral e os animais, preocupados apenas em forragear, defender seus feudos, manter o seu salário, comer e dormir até que a morte os colha. Existem os competitivos eméritos, mas a realidade é que buscam mais a ascensão social do que a verdade, e depois de comerem e dormirem sobre seus tronos de ego, podem descansar em suas lápides de mármore, colhidos pela mesma morte de animais e humanos, devorados pelos mesmos vermes, juntos no mesmo pó.

A cauda balança o cachorro ou o cachorro balança a cauda, é vivo o debate de quanto a internet tem mudado a sociedade, mas como no caso do cachorro, seria isto verdade? A internet é apenas uma ferramenta, pode mudar o mundo, mas não determina o uso que fazem dela e em realidade muito pouco tem mudado, o que aparece são comportamentos antes invisíveis que na internet ganham palco. Esta poderosa ferramenta depende do uso que fazem dela, o melhor ou o pior, o elevado ou baixo. E a falta de debate aberto é apenas uma destas patologias, que já existiam, mas não eram diagnosticadas.

Fez-se até uma “ciência” deste não debate, as chamadas ciências sociais, que de ciência não tem absolutamente nada, uma vez que suas hipóteses não podem ser provadas ou desaprovadas, é um campo inteiro de debate inútil, um engodo, cachorros perseguindo o próprio rabo. Como algo que intitula-se ciência pode fugir como capeta da missa ao se falar em lógica? Como ainda justificam o relativismo dos sofistas ou as boçalidades de Hegel? Só há uma explicação, verdade mística ou ideologia barata e acéfala, ambos tentativas de velar a realidade, nunca a buscar, e assim não crescer e viver girando no mesmo lugar, gravitando uma massa de mentira.

É incrível como hoje na era tecnológica da internet, a lógica parece tão intimidadora e os debates baseados nela escassos, a realidade é que a lógica e a ciência que é a busca por mais lógica sempre foram intimidadoras, uma vez que são argumentos poderosos, os mais poderosos, mas só podem servir-se deles os que questionam, desafiam, caso contrário um argumento que não pode ser desafiado torna-se dogma e perde toda a sua utilidade e função como pedra no caminho da verdade. Somente as mentes questionadoras apreciam a lógica e o melhor argumento, pois é ele que nos permite descansar de nossas dúvidas, e sabemos que se adotarmos um argumento sem mais o questionar, criamos um dogma, algo que não é capaz de silenciar as dúvidas, pois não pode ser questionado e colocado em confronto, a dúvida precisa de respostas para acalmar-se e as melhores respostas vem com a lógica, até acharmos uma melhor lógica o argumento fica como verdade calmante para que encontremos uma forma mais lógica de o desafiar.

É incrível como as pessoas gostam da subjetividade e fogem de qualquer objetividade que possa gerar conflitos verdadeiros e produtivos, basta ver como a estúpida pseudo-doutrina de Heráclito ou seus discípulos mantém-se ativa, ferrugem para engripar as engrenagens do cérebro. Vejam como o simples questionamento coloca abaixo o “tudo flui” no homem que atravessa o rio, diz Heráclito ou seus discípulos: “o mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo de hoje”. Que grande bobagem! Nega o princípio básico da lógica que é a causalidade, o homem de ontem, apensar de não ser o homem de hoje em todos os aspectos, tem relação causal com o anterior, é o mesmo homem na linha da causalidade, com o mesmo nome, com a mesma história acrescida de um dia; e o rio, apesar de não ter as mesmas águas que já escorreram, ainda corre no mesmo leito, é o mesmo rio por definição e relação causal, assim, o tudo flui desconsidera todas as relações causais que são a fonte da lógica, o verdadeiro fenômeno ao qual devemos nossa existência. É um axioma relativista, como a flecha de Zenão que não pretende solução, uma vez que como no exemplo anterior o enunciado desconsidera a natureza do fenômeno movimento.

Os boçais gostam de falar a todo momento de “estranhamento” e “desassossego”, como características fundamentais em uma obra, mas em realidade, encarar as coisas de forma objetiva, com questões reais e não subjetivas que inviabilizam confronto é o verdadeiro estranhamento, incômodo, pois é nesta subjetividade relativizante que dorme confortável o medíocre incompetente com medo do confronto de argumentos que o “desassossegue”. Pode-se correr o risco de perder o solo pantanoso onde pisa, sem nunca querer o “estranhamento” do solo firme que desminta suas crendices pueris.

Hoje a internet permite a argumentação com alcance global, mas veja o que temos, não é fruto da ferramenta, mas a evidencia do comportamento que já existia. Poucos prezam a argumentação lógica, mas não podem admitir, por isso preferem o conforto do relativismo mediocrizante e estático. Se a história nos mostra algo, é que a lógica prevalece, e lógica nada mais é do que o entendimento da causalidade em toda sua extensão. Se quer achar a verdade resista ao relativismo e à falácia, só assim encontrará a verdade em si mesmo.

Alex

Tablets e Alfafa para Alimentar a Ignorância!

Se você está razoavelmente bem informado, viu que o governo pretende comprar 900.000 tablets para a educação, visto assim de relance parece algo bom, mas visto de perto é um dos golpes mais vigaristas e insidiosos a ser perpetrado contra a educação já combalida do brasileiro, calma, vou explicar em detalhe e tentar colocar luz no amontoado de bobagens que mantém nosso ensino em péssimas condições. Tome fôlego que este será longo, mas necessário, se está procurando leitura leve desistirá nos primeiros parágrafos.

O nosso universo de estudantes básicos é de mais de cinqüenta milhões, 900.000 diluídos neste universo é nada, vão fazer propaganda com crianças segurando tablets, para enganar os eleitores, mas não vão melhorar a educação, gastarão muito dinheiro e ainda desacreditarão iniciativas futuras que podem usar esta utilíssima ferramenta de forma apropriada. Em virtude de certa gritaria corrigiram dizendo que 600.000 destes tablets seriam para professores, pois não tem o aparelhinho, e assim nem sabem usar, sobram 300.000 para os alunos… quase nada, iniciativa estúpida! E pensar que pagamos o salário destes “gênios” educacionais, que por pura falta de competência, afundam dia a dia o nosso já naufragado sistema de ensino.

Vamos supor que você é um professor bem intencionado e razoavelmente bem formado, adentra a sala de aula, três dezenas de jovens em seu público cativo e forçado, o que você precisa para ensinar, dar uma boa aula? Primeiro e antes de tudo: conforto e segurança, não há como ter um bom ambiente sem isto; é bom que os alunos estejam bem alimentados e em boas condições de saúde, assim como o professor; diante destas variáveis o ensino torna-se secundário e o aprendizado infrutífero. Bem, estamos saudáveis, bem alimentados, confortáveis e seguros, podemos agora começar a nossa aula.

Posso entrar na sala, dizer bom dia, começar a encher a lousa de palavras que os alunos vão anotar no caderno; quem já não teve um professor assim? Não é o melhor exemplo da espécie, mas existem aos montes. O conteúdo que o professor coloca na lousa já está nos livros, muito já lá escrito a mais de uma centena de anos; se estivesse treinando uma turma de copistas medievais, produzindo livros em massa, este seria um bom treino, mas não, estou tentando educar, e este método além de improdutivo, é chato e desestimulante. Que tal em vez de copiar da lousa para caderno, ter um livro com tudo já escrito? Não é mais simples e produtivo? Mas para isto é necessário ter livro, para a tarefa o e-reader é perfeito, mas os estudantes precisam saber ler, e aqui vou entrar no enevoado debate da alfabetização: já foi algo simples, não mais, mais complexa, ineficiente; o sistema moderno contaminado de ideologia evita que o aluno leia de forma fluente aos oito anos, alguns até saem da escola sem ler, outros ainda terminam faculdades, com deficiência em leitura, por conseguinte em escrita.

Se na caixinha você já tem umas trinta ou mais velinhas de aniversário deve lembrar da famigerada e mal afamada cartilha, hoje em dia considerado um livro do demônio, excomungado e banido. Ela, a maldita, nos fez ler, rapidamente, e ainda escrever, nos obrigou a entender a lógica da escrita na língua portuguesa, com seus símbolos representando sons. Você pode não conhecer uma palavra, mas sabe ler e dize-la em voz alta, graças à simplicidade lógica da cartilha com seu método alfabético. Funcionou! Foi efetiva, mas foi substituído por um método sem lógica, sem eficiência e abundante em ideologia vigarista. Aqui entra o construtivismo bastardo, diz-se inspirado em Piaget, mas dá para ver que do grande cientista não leram nem um livro e se o fizeram não entenderam, Piaget pode até ser um mau escritor, mas é ótimo pensador, contrário do doutor Freud, excelente escritor, mas cientista muitíssimo inferior. Eu pergunto aos construtivistas de plantão: onde sua teoria, se assim pode ser chamada, apóia-se na obra de Piaget e não se opõe a suas descobertas empíricas? Pois, de minha leitura do suíço, mostra que se o mesmo hoje vivesse, desmascararia a vigarice do discurso construtivista.

É este construtivismo que está nas diretrizes educacionais brasileiras, apodrecendo a raiz do ensino. Piaget foi genial ao descobrir empiricamente como funciona o mecanismo de aprendizado, mas este construtivismo bastardo nada tem em comum, é falsidade contaminada de ideologia ignorante. E olha que nem entrei no Paulo Freire, uma jabuticaba nada doce, ideologia sem lógica, fazendo um desserviço ao ensino.

A cartilha funcionou e ainda funcionaria, pois a criança ao ser alfabetizada, já fala, ela não precisa recriar a estrutura da língua, é só ligar a fala aos símbolos gráficos, criança não é estúpida, entende a lógica da língua, aprendeu com o uso, só precisa entender a lógica da escrita que imita a fala, neste aspecto a cartilha é prática e faz o aluno ler rapidamente, é tão simples que permite seu uso por professores leigos. A cartilha explana de forma clara a lógica alfabética, silábica e fonética, foi substituída por algo que não funciona! Idéias bonitas sem uso prático, sem eficiência ou funcionalidade.

No ranking da estupidez do sistema de ensino está o desaparecimento dos cursos de magistério, que se focavam nas técnicas de alfabetização, e sua substituição pelo curso de pedagogia, mais direcionado para a administração escolar e extremamente falho na prática do letramento, que é a tarefa fundamental do professor primário. Por um suposto status universitário, supõe-se o curso de pedagogia superior ao de magistério, mas foram estas professoras, saídas do magistério que nos deram aulas e nos ensinaram a ler antes do primeiro ano terminar. Hoje você tem professoras com status universitário nas escolas primárias, mas estas não sabem alfabetizar, e o aluno sai deste ciclo sem domínio da leitura, muito menos desfrute da literatura.

Voltamos agora à nossa sala de aula, meus alunos já tem o domínio necessário da leitura, preciso de livros, não só com o conteúdo a ser ensinado, mas meus alunos precisam de livros para treinar a leitura, de forma prazerosa e lúdica, pois só assim vai desenvolver a habilidade, assim como a escrita. Quem lê invariavelmente irá escrever bem, pode não conhecer todas as regras gramáticas com seus nomes “científicos”, mas as conhece do seu uso, do uso culto da língua encontrado na literatura. Coitado do professor que se acha a única fonte de conhecimento e o despeja sobre o aluno, nada entende de educação. O aluno precisa ter acesso à fonte do conhecimento, que é o livro. Tudo está em livros!

O livro é e foi o grande democratizador do conhecimento, a prensa de Gutenberg trouxe a preocupação dos meios universitários com a difusão do conhecimento em livros, aqueles que quisessem aprender poderiam recorrer aos livros, sem freqüentar os bancos universitários, naquela época a educação universitária iniciava aos doze anos. Pode-se aprender apenas com livros, o professor é supérfluo; para divulgar conhecimento, o livro com QI de meia samambaia plástica é melhor que qualquer professor. O educador que se coloca nesta posição exclusiva de detentor do saber é um estúpido, como ser vivente e não papel inerte o professor deve poder muito mais.

Professor não aprende por aluno, já sabe, apenas ajuda, é um mero facilitador, um interlocutor qualificado. É esta interação que livro ou tablet não podem fazer, pois só o ser vivente, dotado de inteligência pode perpetrar tal tarefa. Não é pouca, cabe ao professor passar ao aluno a paixão pelo conhecimento, o desafio do aprendizado, manter acesa a curiosidade natural do homem em conhecer o mundo onde vive. De todo “roll” de professores que tive ao longo da vida, poucos se elevam ao panteão dos bons, aqueles que me inspiraram com sua paixão. Muitas vezes fiquei inclinado a pensar que professores são seres que nascem por geração espontânea, pois muitos parecem que nunca foram alunos, brotam professores sem passarem pelas salas de aula, livros, dúvidas ou a juventude. Esquecem ou nunca foram alunos, e assim não conseguem entender aquilo que um dia foram, e ficam sem compreender os alunos, viram mini-ditadores com o menor reino do mundo: a sala de aula. Se um professor tem autoridade, esta deriva exclusivamente de sua sabedoria e da lógica, não de sua autoridade ditatorial em sala de aula.

Esta educação é vista como um processo passivo, onde o aluno é uma peça que não importa, não influencia; muda de ano outro ocupa o mesmo banco e repete-se o mesmo ritual. É preciso acabar com a passividade do estudante, ele é peça ativa e deveria ser o mais interessado em sua própria educação. É o método estúpido de educação que torna alunos interessados, curiosos e ávidos a aprender em imbecis passivos em potencial. É esta mentalidade tacanha que aumenta o número de aulas inúteis, não permitindo ao estudante o espaço necessário para pensar sozinho e seguir seus próprios projetos e interesses. Eu e meus contemporâneos tivemos muito menos carga horária do que os estudantes atuais e nossa educação não foi inferior, muito ao contrário, pode-se traçar um gráfico e mostrar claramente que junto com o aumento da carga horária veio a derrocada da qualidade do ensino. Aí os educadores idiotas, pagos com dinheiro do governo, acham que precisa ocupar a já atribulada vida do estudante com mais tempo inútil em sala de aula. Não adianta aumentar o tempo, tem que melhorar a qualidade, e para isto precisamos de uma proposta mais inteligente, que conta com o aluno como parte ativa da educação. Além disto, precisamos de melhores professores.

A arte de educar já foi muito mais valorizada, com os professores ocupando local de destaque e sua devida importância na sociedade, nas últimas três ou quatro décadas vimos uma desmoralização da classe detonada principalmente pelos baixos salários e más condições de trabalho. Hoje ninguém que se preze e que tenha um mínimo de capacidade se presta ao ofício de professor, pode auferir melhores salários em qualquer outra atividade, existem pouquíssimos que ainda se mantém por amor à profissão, são minoria, discriminados mesmo dentro de seu próprio meio. O baixo salário fez com que se direcionassem para o magistério aqueles incapazes de ocupar melhores posições, infestam os quadros escolares públicos, estáveis, imutáveis, e contra qualquer melhoria salarial dependente de mérito. Infelizmente hoje não é uma questão de aumentar salários, pois não adianta premiar estes que nunca tiveram compromisso com a educação e só a praticam por conta da estabilidade no serviço público e a incapacidade de serem cobrados por resultados. Ao mesmo tempo não é possível atrair os jovens, pois o professor iniciante só tem vaga nas piores escolas, aquelas esquecidas do poder público, só lembradas na hora de mendigar por votos em uma eleição, e logo novamente esquecidas, abandonadas, largadas à própria sorte.

Não adianta aumentar os salários dos professores enquanto esta escumalha que marca o passo do atraso na educação ainda ocupa os lugares de quem quer ensinar, com inteligência, competência e habilidade. Qual professor minimamente comprometido não vê o absurdo acontecendo em sua escola? Faltas abonadas em detrimento dos alunos e todo tipo de falha de compromisso, sem contar a baixíssima habilidade dos professores. Posso entender que são mal remunerados, mas se aceitaram o trabalho é para fazer direito ou cair fora, os alunos são vítimas e não são os culpados dos baixos salários.

O professor desvalorizado na sociedade e desvalorizando-se por sua própria incompetência, aos olhos do aluno é um fracassado, incapaz de inspirar os estudantes e sem autoridade real para manter a menor disciplina em sala de aula. É este o professor que guia o ensino, o pivô central da educação, é fácil entender o motivo da péssima qualidade de ensino, só o comprometimento com a qualidade e excelência de todas as partes pode mudar este quadro, enquanto houver complacência com a mediocridade os alunos estão condenados à ignorância.

Ao mesmo tempo o construtivismo bastardo prega uma forma de nativismo educacional, afirmando que o aluno pode por si mesmo chegar às respostas de tudo sozinho. A humanidade levou aí uns três ou quaro mil anos para aprender o que ensinamos em sala, o aluno só dispõe de uma vida, não tem como dedicar-se como Darwin e Mendel, para aprender apenas uma ínfima parcela do que deve conhecer o homem moderno. O aluno deve apoiar-se nos gigantes que nos precederam e se possível ir além, reinventar a roda não é prático, e este nativismo povoado de estúpida boa intenção só leva ao atraso, nosso conhecimento é a herança de muitas gerações de pensadores, é de suprema estupidez pensar que o aluno dispondo de apenas uma vida possa recriar tudo; deve saber procurar, pesquisar e encontrar as respostas já encontradas e as criticar de forma lógica. Isto é ensino: herança e autonomia, diferente da doutrinação estúpida comum nas salas de aula.

Professores já pouco preparados e mal pagos encontram-se na guerra entre o construtivismo utópico Paulo Freiriano e a doutrinação vagabunda pura e simples. A inteligência ou a lógica não tem espaço nesta disputa.

Não adianta inserir uma ferramenta cara e poderosa em um sistema que já desperdiça seus recursos por orientar-se por ideologia estúpida. Os tablets, assim como todos os recursos já desperdiçados serão apenas mais dinheiro jogado fora, afundando mais a educação. É preciso pensar, pensar com lógica e inteligência as bases da educação.

A primeira pergunta é: Você acredita que este governo tenha qualquer compromisso verdadeiro com a educação? Se ainda acredita nesta baboseira vou mostrar como o descaso com a educação é evidente. Houve alguma medida efetiva de tentar melhorar a educação feita pelo MEC? Não! E olha que já são quase dez anos desta farsa, qual a dificuldade? O governo tem toda a base para aprovar o que quiser, se não aprova é por que não quer. Veja que absurdo esta copa que nada deixará além de dívidas, estão até mudando as leis brasileiras para acomodar os vagabundos da FIFA, gastando dinheiro público, que falta na educação, para uma entidade privada, veja a velocidade com que ocorre e as somas gastas. Não é revoltante? O que é mais prioritário para o Brasil, uma copa estúpida de futebol ou a melhoria da educação do país?

Vou lhe dar outro exemplo ainda mais vergonhoso, a constituição em seu texto proíbe o imposto sobre livros, e para garantir que o imposto não seja cobrado de forma indireta, também isenta os insumos destinados à produção dos livros. É uma medida para proteger a indústria do papel? Não! É uma medida para permitir a livre circulação de livros, veículo de educação e idéias, é esta livre circulação que nos caracteriza como democracia. Se o governo fosse a favor da educação já teria liberado o imposto sobre o livro eletrônico e seus insumos, ou o seja: o e-reader, necessário para a leitura eletrônica. Eles não precisam mudar leis no congresso, pois a lei já está na constituição, é só querer ser a favor da educação, em vez de priorizar a copa, que tal priorizar a educação? Este atraso mostra que os especialistas do governo, regiamente pagos, não querem a melhoria da educação do brasileiro, se quisermos que isto mude deveremos fazer pressão ativa, exigir o nosso direito que é sonegado pelo governo. Cobre, exija, é seu direito, e se conseguirmos vitória será por pressão, não pelo entendimento do governo que livro é educação, pois se este existisse, o livro eletrônico já estaria sem imposto.

Vamos voltar agora à nossa sala de aula, espero que muitos mitos que emperram nossa educação já tenham sido desfeitos, assim posso continuar minha aula e usar das novas tecnologias para ajudar o aluno. O que é um tablet? Nada mais que um simples computador, lembrem-se que as escolas já possuem esta peça de mobiliário e o motivo de ser chamado de PC (personal computer) é o de ser pessoal, é para o aluno ter o seu, ainda não temos, e as iniciativas educacionais usando o aparelho são pífias, alunos sabem usar redes sociais por iniciativa própria, mas ainda não usam a ferramenta com fins educacionais, ou seja, para buscar conhecimento de forma autônoma. Algo muda com o tablet? Talvez; se todo aluno tiver o seu, pois mais enfático que o computador de mesa o tablet é ainda mais pessoal. Pode mostrar vídeos, qual o grande conteúdo educacional que temos em vídeo? Pode rodar programas educacionais, quais são estes programas? Pode acessar a internet, se tivermos conexão para todos e soubermos o que procurar. Pode ler livros; pode? O nosso conhecimento vem de uma longa tradição, está nos livros, Newton não produziu vídeos, assim como o “A Origem das espécies” está em livro, os experimentos com ervilhas de Mendel foram esquecidos, mas recuperados do livro. O que o aluno precisa para educar-se minimamente está nos livros, e novamente afirmo: para isto o e-reader é melhor ferramenta. Para o aluno primário o tablet por suas características visuais e pictóricas pode ser mais útil que o e-reader, mas a partir da terceira série o aluno precisa ter contato com a literatura de forma lúdica, para treinar leitura, a ferramenta necessária para tirar o sentido dos textos usados para transmitir conhecimento.

É preciso entender os aparelhos por sua funcionalidade e não por mistificação ignorante, o tablet me é útil em sala de aula? Sim, posso indicar material de consulta na internet para o aluno, expandir o conceito de cultura, se souber usar. Ao outro lado quero que meus estudantes leiam, por prazer e para pesquisar, encontrar conteúdo, extrair significado, e para isto o e-reader é a ferramenta, quem tem um sabe, não dá para ler textos extensos e complexos no tablet, não é confortável, só quem rivaliza com o livro é o e-reader. Dizem que estes aparelhinhos são dedicados à leitura, são! Mas o livro também não é um aparelho dedicado à leitura? Uma aparelho totalmente dedicado à leitura de um único texto? Não é a leitura a habilidade fundamental que levamos dos bancos escolares? Quem é o analfabeto? Aquele que não sabe escrever nem ler, daí não se tira a importância da literatura? Não justifica-se um aparelho a ela dedicado? O governo já gasta fortunas todo ano com livros muito mais dedicados, de conteúdo ruim, sem possibilidade do aluno “trocar” de texto.

Se você já me seguiu até aqui, podemos ir adiante, pois é necessário desmascarar todas as bobagens educacionais antes que possamos usar de forma efetiva as novas tecnologias. Já pegou um livro didático moderno? Estes que os alunos usam? Já pousei a mão em vários, o teor é uma vergonha, são livros feitos por compiladores de conteúdo, sem um texto lógico que permita ao aluno seguir o raciocínio dos pensadores que fizeram as grandes descobertas; mesmo que o aluno queira estudar sério não pode pois estes livros não dão subsídio ao aprendizado consciente, apenas à estúpida memorização sem lógica, da mesma maneira que memoriza uma letra de música, sem entender memoriza a fórmula da gravidade, e daí? Entendeu? Tem como compreender o raciocínio de Newton? Como ver onde ele estava equivocado para chegar nas descobertas de Einstein?

Estes livros didáticos são descartáveis, o conteúdo é tão inútil que não podem ser guardados como livros para consulta futura, só servem para engordar uma máquina editorial viciada no dinheiro do governo e dos pais encurralados a pagar o preço extorsivo deste material infame, sem lógica ou utilidade na verdadeira educação consciente.

O uso de tablets implica na existência de material didático apropriado, mas este não existe, assim como inexistem livros didáticos modernos bem feitos, não adianta um tablet que pode tocar vídeos, áudio, interatividade, se o material educacional não existe. Mas viemos de uma longa tradição de material em livros, tudo necessário à boa educação está em livros, foi transmitido em livros, aprendemos em livros, já está pronta, só precisamos de acesso aos livros, e novamente: nada mais útil para isto que o e-reader.

Se vamos usar um tablet para educação precisamos ver suas características com olhar técnico, o que deve ter o aparelho para ser efetivamente usado nos meios educacionais? A primeira questão é a obsolescência programada, estes dispositivos não duram muito e logo já não rodam os programas que encontram-se por aí, o governo vai substituir os aparelhos anualmente? Provavelmente não, portanto precisamos de um aparelho pensado a dar continuidade no processo educacional independente da obsolescência de mercado, muitas vezes programada, para que o consumidor seja obrigado a gastar em um novo aparelho. É necessário definir um padrão, isto o governo ainda não fez e nem tem competência para tanto. É necessário que o aparelho tenha um teclado físico, pois o virtual não é funcional, mesmo no ipad; o aluno vai precisar digitar texto, pois não tem em casa um computador pessoal. O tablet deverá ser resistente, muito mais do que os existentes no mercado, estes aparelhinhos não vão durar meses na mão dos estudantes, também minimamente à prova de umidade.  Entradas e saídas padrão, ou seja, USB e SD. Bateria para agüentar todas as aulas e ainda o estudo em casa, ampla rede de manutenção, só para falar o básico. Você viu alguém falando sobre isso? Não? Então esta compra de tablets é apenas uma piada de mau gosto, e olha que nem estou falando do software e sistema operacional que já deve vir com o aparelho, além da conectividade com internet. Veja, há muito que pensar para acolher com eficiência estes aparelhinhos na sala de aula. É muito interessante o aluno ter estas funcionalidades, mas para a educação ser universal tudo deve estar à disposição do aluno carente. Já fui ativista dos livros, mas com os preços do papel não há quem possa ter este gasto, não importando o quão entusiasmado o aluno esteja, a ele os livros são proibidos, caros, fora de seu universo.

Em sala de aula, o que mais sinto, é a falta dos livros, eles são o material de consulta, a matéria prima da educação, sem eles não há muito o que fazer, nem da parte do professor, nem da parte do aluno que não pode educar-se se tiver um professor ruim. Às vezes comentamos entre nós que esta derrocada educacional não é casual, é causal, e entramos nas mais tresloucadas teorias conspiratórias, mas se fosse casual era de esperar ao longo dos anos alguma melhora mesmo que aleatória, não ocorre, no ensino todas as iniciativas fazem a qualidade despencar, sempre. Não consigo imaginar o grau de estupidez e incompetência para não conseguir uma melhora ao menos casual, é preciso muito esforço e gasto inútil para se conseguir ser tão ruim. Os pais que colocam os filhos em caríssimos colégios particulares também não estão protegidos da estupidez, pois a ideologia eqüina do MEC permeia todo o ensino, é preciso mudar, mudar com inteligência, pois se existe um pré-requisito básico em educação este é a inteligência. Burros não ensinam nada a não ser comer alfafa, capim ou o que tiver, seja com tablets, e-readers, lousas ou apenas bons professores, é preciso pensar a educação em suas bases, sem isto toda iniciativa está fadada ao fracasso, e nossos estudantes condenados à ignorância que afundará o país.

Alex

Crítica & Educação

No mundo contemporâneo, utilitarista ao extremo em seu aprimoramento de relações comerciais, crítica é sempre algo pejorativo, sinônimo de propaganda negativa; no mundo literário muito da crítica pode ser apenas classificada como propaganda, variando de positiva a negativa; falta-lhe o insumo básico do qual uma crítica verdadeira é constituída: argumento.

Propaganda vende verdades, mesmo que falsas, não se presta ao debate, nem a ouvir seus interlocutores. A crítica que camufla em suas palavras apenas propaganda é inútil, vazia; sem argumentos sólidos não diferencia-se do comercial mais vigarista de shampoo, infelizmente hoje grande parte da crítica é apenas isso. O que existe por aí, inadvertidamente chamado de crítica, fala da vida do autor, irrelevante para a obra, ou a colocação de suas idéias frente a teorias psicológicas ou ideários marxistas, pura embromação, deve-se ver o que está na obra em questão e não fora dela. É dos elementos existentes no texto que deve vir o argumento para a crítica, e a partir dele feitas comparações, com propriedade, não simples opiniões ignorantes. Para isto o crítico deve ter inteligência para uma leitura analítica do texto, percebendo suas características, que serão os argumentos de partida a uma análise séria.

Seria muito simples diferenciar a verdadeira crítica da propaganda disfarçada, se não houvessem truques dialéticos e relativismo barato, tentando mimetizar a argumentação lógica. Muitos ainda diriam que a razão, exercitada pela lógica, não é definitiva nos argumentos, pois existem condições emocionais e místicas que não pertencem aos domínios da razão. O homem é racional, os animais irracionais, quem sabe mais talhados à poesia, providos do seu raciocínio não lógico. Não! Esta poesia que se furta à análise não é coisa do gênio humano, apenas resquício do instinto animal, ou mais uma forma de ludibrio. O misticismo furta-se ao debate, prefere o conforto do obscurantismo, também um dos esconderijos dos incompetentes.

Usam crítica para fazer propaganda, como ferramenta de doutrinação ao invés de educação, a isto não se deve considerar verdadeira crítica, pois a matéria real fomenta a educação, não a vigarice embutida na doutrinação. É fornecendo argumentos que podemos avaliar uma obra, colocando-as lado a lado com o passado histórico da arte e da literatura. É ao leitor que nosso argumento deve ser exposto, comentado, deixando a ele um julgamento consciente para avaliar nosso veredicto, não deve o leitor acreditar em tudo que lê se a pertinência dos argumentos inexiste. A boa crítica educa autor e leitor, enriquecendo a arte, já a doutrinação, sem argumentação fundada na base lógica, se presta apenas a objetivos escusos que sempre diminuem o que pode ser chamado arte.

É sobre os argumentos que se processa o debate, é tarefa dos críticos extrair da obra usando de olho treinado, os elementos que constituem a arte do autor, e apresenta-los ao leitor. É sempre sobre os argumentos que se processa qualquer embate verdadeiro de idéias; deve-se ficar atento aos que fogem do argumento, com receio de ver seu engodo exposto, nada de bom tem a contribuir, apenas tentam uma doutrinação estúpida.

Aprenda a ver a crítica pela pertinência de seus argumentos, verá aí um caminho virtuoso, pavimentado de lógica para chegar à transitória razão. Crítica não é positiva ou negativa, é sobretudo pertinente e verdadeira, e se assim feita, fomenta a educação.

Alex

Educação, Computadores, E-readers e a Vida Contemporânea

Dias passam, semanas, meses e anos e tudo que vemos é a ruína progressiva do nosso sistema educacional, no intuito de evitar o inevitável, colocamos nossos filhos em escolas particulares, pagamos caro, muitas vezes com sacrifício, mas a derrocada não é exclusividade do sistema público, atinge todo o ensino, mesmo o particular, de forma mais lenta. Há algo de muito errado em nossa escola e universidades.

O cotidiano é que faz esta percepção mais evidente, o ensino vem a séculos no mesmo trilho, é o mundo moderno tão rápido e dinâmico que agora se choca com os antigos ideais escolares. Em tempos passados o acesso a informação não era tão simples, hoje qualquer um com um celular conectado pode encontrar a informação mais complicada nas páginas da web, da mesma maneira como se carregasse o livro abaixo do braço o tempo todo, com a grande diferença que este livro contém toda a informação do conhecimento mundial.

É imperativo salientar que muito do tempo gasto nos bancos escolares e no conseqüente estudo caseiro é dedicado à simples e estúpida tarefa da memorização, conteúdo que será vomitado momentos mais tarde em uma prova que exige apenas isto do aluno. É um modelo viciado, ineficaz, que as páginas dos mecanismos de busca tornaram completamente obsoleto.

Hoje mais do que nunca, o que diferencia as pessoas não é a quantidade de informação que acumulam, mas como processam seus conteúdos. Tive um professor de matemática que dizia: “memorizar é tarefa que qualquer folha de papel faz melhor que o ser humano, mesmo tendo o QI de meia samambaia plástica”. Não ouso discordar, é a mais profunda realidade, por mais que decoradores de lista telefônica possam ser inteligentes de salão, declamando tudo de forma maquinal, ficaram obsoletos diante da rede; é a pessoa que sabe tirar sentido, pensar criticamente e operacionalizar os conteúdos que faz a diferença.

Os computadores invadem as escolas, em vez de usarmos o seu grande potencial, usamo-los como propagandas pirotécnicas com propostas educacionais medíocres, joguinhos coloridos e barulhentos para fazer o mesmo que os cansados professores não deveriam. E eis a grande realidade, computadores são meras ferramentas, se não souber como usa-los para educação efetiva, não só não vão auxiliar como vão atrapalhar. Às vezes pergunto a um aluno o motivo de algo, e com freqüência a resposta que recebo é: “ isto é assim pois o professor disse que é assim…”, não há crítica, nem pensamento a elaborar uma resposta lógica, a fala do professor foi o único material de consulta, aceito de forma passiva sem qualquer processamento, upload do professor e download do aluno, atividade que o computador QI de meia samambaia plástica faz melhor que nós.

As crianças hoje ficam cinco a seis horas diárias na sala de aula, se perguntar o que descobriram não saberão dizer, divagaram, conversaram com colegas, tudo menos envolver-se com os conteúdos propostos pelo professor, não é para menos, muitos alunos entram mudos e saem calados, muitos professores não gostam de perguntas, outros ainda, entram, enchem um quadro negro, os alunos copiam em seus cadernos e a aula termina. Que me condene ao fogo eterno quem nunca viu isto acontecer. Comum? Sim! Correto? Nunca!

Os meios informáticos são benção ou maldição, ainda ontem vi professores fazendo abaixo assinado para não usar tablets nas escolas, pois os alunos sabiam utilizar estes aparelhos melhor que seus professores. Isto é atitude de um mestre? Nas escolas mais preparadas o aluno terá um livro didático para auxiliá-lo, é a informação lá contida que será toda sua fonte. Os tais livros didáticos são derivações de conteúdo, quando passamos a aprender de maneira correta sempre nos foi ensinado a ir à fonte original, está longe do livro didático que na maioria das vezes estripa toda a lógica dos raciocínios, apresentando conteúdo sem sentido racional, na melhor das hipóteses só serve para ser decorado. O e-reader permite a biblioteca na ponta dos dedos com uma grande variedade de textos, todos originais e em domínio público, a física de colégio tem apenas trezentos anos… Qual o motivo dos livros didáticos serem atualizados anualmente se o conteúdo não muda em décadas? Lógico, fomentar a venda do livro didático, o maior mercado editorial do Brasil. Assim o irmão mais novo terá que comprar novos livros, não poderá usar o do mais velho, apesar do conteúdo não ser diferente dos livros utilizados por seus pais.

Tablet ou e-reader? O e-reader permite ler por períodos prolongados sem cansar a vista, é análogo ao papel utilizado por anos, pode portar os livros de leitura e textos de estudo, mas não é colorido e não mostra vídeos, coisa que o tablet faz tão bem. Qual motivo de não ter todas as aulas do ano já gravadas em vídeo? Existem professores que ano após ano entram em sala e falam as exatas mesmas coisas, tem até bons, quem duvidar do que digo, ouça uma aula gravada a muito tempo de um tal Feynman, intitulada “Lectures on Physics”, mestral e ainda atual e útil. Não gostou de um professor? Pode ter seis versões da mesma aula com professores diferentes para assistir quando tiver atenção e não no primeiro horário da manhã ainda com sono. Sim, o tablet tem vantagens, mas não tem teclado e portanto pode ser substituído pelo laptop, mas não há o que substitua o e-reader, sem ele conteúdos mais complexos que exigem leitura intensa do aluno não podem ser acessados. A escolha cai para laptop e e-reader em conjunto.

E agora? O que sobra para os professores fazerem? O que sempre deveriam ter feito, conversar com os alunos, responder perguntas, contamina-los com o prazer pelo conhecimento, partilhar esta paixão. O computador, o tablet e o e-reader com QI de meia samambaia plástica não podem substituir o professor, deve fazer o que estes dispositivos nunca poderão, nunca reduzir-se a mera máquina. Assim teremos bom ensino, estimulante para professores e alunos.

Alex