Foco

Livros, renascimento, conhecimento, palavras em íntima ligação, será que o artesão que inventou a prensa de tipos móveis poderia imaginar que de todos os seres humanos foi o maior responsável por mudar o mundo? Forço em afirmar que foi a tal prensa que findou uma era de trevas de mil anos. Como foi denominado o período após as trevas? Renascimento. Quem renasceu? A antiga cultura grega. Como? Com a prensa, difundindo livros antes proscritos em monastérios.

Livros dependem da educação, só os lêem os que foram alfabetizados, e para isto são necessários livros, a prensa de Gutenberg tornou mais acessível o conteúdo dos livros, permitiu sua produção em massa. Antes livros eram escritos e copiados a mão, um a um, processo caríssimo, restrito a poucos. Foram bibliotecas monásticas que preservaram a sabedoria da sociedade antiga, livros que depois da impressão em massa puderam espalhar-se, fecundar mentes, cativar seguidores e continuar a tradição da sabedoria ocidental iniciada nas polis de Atenas, inspirando os Romanos e fornecendo o Organon base da escolástica católica forçada por um milênio.

Livros e educação, receita antiga, eficiente contra as vicissitudes da vida, combatendo os males da ignorância. Foram universidades do século 17 que deram origem à ciência moderna, o homem descobriu a prova de sua existência: “cogito ergo sum” disse Descartes, penso logo existo, está no livro, registrando em palavras o pensamento de existência deste incrível matemático e filósofo.

Além dos textos filosóficos, matemáticos e científicos, estes livros puderam ser usados para o entretenimento, homens munidos de sua inventividade, imaginação e criatividade, tornaram as palavras escritas no livro um lazer, espalhando e aperfeiçoando a antiga arte de contar estórias e histórias.

Vivemos e convivemos com o papel, ele tem sido o veículo dos textos impressos nos livros, nos afeiçoamos às estórias dos livros, nos afeiçoamos ao livro, ao papel; não é o cheiro ocre do mofo que cresce no papel, seu peso e sua textura que nos fizeram apaixonar por esta forma, foram as estórias ali contidas, o fruto de mentes deliciosas. O livro eletrônico já existe a bom tempo, mas era desconfortável, ler em posição de atenção sentado de fronte a uma tela não tem o mesmo apelo do cantinho aconchegante cuidadosamente iluminado. Apesar de ser fácil e barato de distribuir, ler no formato eletrônico não permitia o conforto necessário para obras literárias. O papel ainda reinava supremo, como reinavam os monges copistas.

Surge o ebook reader com tela e-ink, e friso bem, e-ink. Talvez quem ainda não conheça esta tecnologia, confunda o e-ink com a tela de LCD ou agora LED, mas para o leitor de literatura a diferença é monstruosa, agradável de ler, não cansa a vista, confortável para Harry Potter, Joyce ou Tolstoi. A febre moderna da tecnologia já está substituindo os computadores complicados pelos modernos e mais intuitivos tablets, estes podem ser usados para ler livros, muito provavelmente bom para o leitor eventual, mas para o leitor freqüente de literatura, só o e-ink é capaz de satisfazer.

O leitor e-ink é o verdadeiro corpo para encarnar o espírito de Gutenberg, a partir daí vem muita mudança para leitores e escritores. Discutir a literatura em sua forma e conteúdo é tudo que será encontrado neste blog.

Alex

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