Dica de Escrita #5: Escrita Literária

Ao produzir um texto o autor permeia as palavras, mas não de forma direta; ao contar uma estória a personalidade do autor não é evidente, e nem deve ser, mas na escrita dita literária, uma versão mais artesanal e pensada da escrita cotidiana, duas figuras literárias mostram com mais clareza a personalidade e habilidade do autor: metáfora e metonímia.

Recursos fortes que devem ser usados com parcimônia, pois seu exagero, ao contrario do que se pensa, em vez de tornar o texto mais forte o enfraquece e deixa chato, metáforas lançadas uma atrás da outra são cansativas para o leitor, não contribuem para a força do texto.

Ao sair da escrita coloquial para o pântano escorregadio da escrita literária corre-se o risco de atolar no lamaçal da banalidade, são águas turvas, perigosas, para os que não dominam a arte de caminhar em terreno inseguro. Corre-se menos risco com uma escrita plana, sem adornos ou malabarismos, não compromete, não denuncia a imperícia do escritor, pois na escrita “plana” não há muito espaço para o autor diferenciar-se, exibir proficiência.

Muito já foi discutido sobre metáforas e alguns grandes nomes chegaram à conclusão que as melhores já foram usadas, deixando pouca margem para a criatividade dos novos autores. Em uma metáfora repetida e já conhecida deve-se pensar que ela carrega em si o contexto original, pode-se brincar com isto, usando como referência ao texto primeiro; no mesmo sentido acaba ficando pobre, cópia, repetição. Antes uma boa metáfora do que muitas ruins, a única que vale perde-se no meio das ruins. Não existem regras para dizer o que seria uma boa metáfora, no meu entender elas parecem naturais, uma comparação óbvia, mas não trivial.

Quando na metonímia um texto aparece voando, trotando em assuntos diferentes com a velocidade de um bólido, os distintos contextos confundem o leitor, e a não ser que este seja seu propósito explícito, deve ser evitado; um galope rápido ou um trote cuidado deixa o texto mais suave quando os recursos “similies” vem do mesmo universo, onde a comparação não explícita refere-se a uma mesma imagem.

O autor corre muitos riscos ao adentrar a escrita literária, se pretende apenas contar uma estória, e não tem o treino nem a erudição para entrar neste pântano, evite! Não há pecado, uma boa estória pode ser contada em linguagem simples, de maneira muito mais efetiva do que em uma má forma pretendendo ser literária.

Alex

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