Tablets e Alfafa para Alimentar a Ignorância!

Se você está razoavelmente bem informado, viu que o governo pretende comprar 900.000 tablets para a educação, visto assim de relance parece algo bom, mas visto de perto é um dos golpes mais vigaristas e insidiosos a ser perpetrado contra a educação já combalida do brasileiro, calma, vou explicar em detalhe e tentar colocar luz no amontoado de bobagens que mantém nosso ensino em péssimas condições. Tome fôlego que este será longo, mas necessário, se está procurando leitura leve desistirá nos primeiros parágrafos.

O nosso universo de estudantes básicos é de mais de cinqüenta milhões, 900.000 diluídos neste universo é nada, vão fazer propaganda com crianças segurando tablets, para enganar os eleitores, mas não vão melhorar a educação, gastarão muito dinheiro e ainda desacreditarão iniciativas futuras que podem usar esta utilíssima ferramenta de forma apropriada. Em virtude de certa gritaria corrigiram dizendo que 600.000 destes tablets seriam para professores, pois não tem o aparelhinho, e assim nem sabem usar, sobram 300.000 para os alunos… quase nada, iniciativa estúpida! E pensar que pagamos o salário destes “gênios” educacionais, que por pura falta de competência, afundam dia a dia o nosso já naufragado sistema de ensino.

Vamos supor que você é um professor bem intencionado e razoavelmente bem formado, adentra a sala de aula, três dezenas de jovens em seu público cativo e forçado, o que você precisa para ensinar, dar uma boa aula? Primeiro e antes de tudo: conforto e segurança, não há como ter um bom ambiente sem isto; é bom que os alunos estejam bem alimentados e em boas condições de saúde, assim como o professor; diante destas variáveis o ensino torna-se secundário e o aprendizado infrutífero. Bem, estamos saudáveis, bem alimentados, confortáveis e seguros, podemos agora começar a nossa aula.

Posso entrar na sala, dizer bom dia, começar a encher a lousa de palavras que os alunos vão anotar no caderno; quem já não teve um professor assim? Não é o melhor exemplo da espécie, mas existem aos montes. O conteúdo que o professor coloca na lousa já está nos livros, muito já lá escrito a mais de uma centena de anos; se estivesse treinando uma turma de copistas medievais, produzindo livros em massa, este seria um bom treino, mas não, estou tentando educar, e este método além de improdutivo, é chato e desestimulante. Que tal em vez de copiar da lousa para caderno, ter um livro com tudo já escrito? Não é mais simples e produtivo? Mas para isto é necessário ter livro, para a tarefa o e-reader é perfeito, mas os estudantes precisam saber ler, e aqui vou entrar no enevoado debate da alfabetização: já foi algo simples, não mais, mais complexa, ineficiente; o sistema moderno contaminado de ideologia evita que o aluno leia de forma fluente aos oito anos, alguns até saem da escola sem ler, outros ainda terminam faculdades, com deficiência em leitura, por conseguinte em escrita.

Se na caixinha você já tem umas trinta ou mais velinhas de aniversário deve lembrar da famigerada e mal afamada cartilha, hoje em dia considerado um livro do demônio, excomungado e banido. Ela, a maldita, nos fez ler, rapidamente, e ainda escrever, nos obrigou a entender a lógica da escrita na língua portuguesa, com seus símbolos representando sons. Você pode não conhecer uma palavra, mas sabe ler e dize-la em voz alta, graças à simplicidade lógica da cartilha com seu método alfabético. Funcionou! Foi efetiva, mas foi substituído por um método sem lógica, sem eficiência e abundante em ideologia vigarista. Aqui entra o construtivismo bastardo, diz-se inspirado em Piaget, mas dá para ver que do grande cientista não leram nem um livro e se o fizeram não entenderam, Piaget pode até ser um mau escritor, mas é ótimo pensador, contrário do doutor Freud, excelente escritor, mas cientista muitíssimo inferior. Eu pergunto aos construtivistas de plantão: onde sua teoria, se assim pode ser chamada, apóia-se na obra de Piaget e não se opõe a suas descobertas empíricas? Pois, de minha leitura do suíço, mostra que se o mesmo hoje vivesse, desmascararia a vigarice do discurso construtivista.

É este construtivismo que está nas diretrizes educacionais brasileiras, apodrecendo a raiz do ensino. Piaget foi genial ao descobrir empiricamente como funciona o mecanismo de aprendizado, mas este construtivismo bastardo nada tem em comum, é falsidade contaminada de ideologia ignorante. E olha que nem entrei no Paulo Freire, uma jabuticaba nada doce, ideologia sem lógica, fazendo um desserviço ao ensino.

A cartilha funcionou e ainda funcionaria, pois a criança ao ser alfabetizada, já fala, ela não precisa recriar a estrutura da língua, é só ligar a fala aos símbolos gráficos, criança não é estúpida, entende a lógica da língua, aprendeu com o uso, só precisa entender a lógica da escrita que imita a fala, neste aspecto a cartilha é prática e faz o aluno ler rapidamente, é tão simples que permite seu uso por professores leigos. A cartilha explana de forma clara a lógica alfabética, silábica e fonética, foi substituída por algo que não funciona! Idéias bonitas sem uso prático, sem eficiência ou funcionalidade.

No ranking da estupidez do sistema de ensino está o desaparecimento dos cursos de magistério, que se focavam nas técnicas de alfabetização, e sua substituição pelo curso de pedagogia, mais direcionado para a administração escolar e extremamente falho na prática do letramento, que é a tarefa fundamental do professor primário. Por um suposto status universitário, supõe-se o curso de pedagogia superior ao de magistério, mas foram estas professoras, saídas do magistério que nos deram aulas e nos ensinaram a ler antes do primeiro ano terminar. Hoje você tem professoras com status universitário nas escolas primárias, mas estas não sabem alfabetizar, e o aluno sai deste ciclo sem domínio da leitura, muito menos desfrute da literatura.

Voltamos agora à nossa sala de aula, meus alunos já tem o domínio necessário da leitura, preciso de livros, não só com o conteúdo a ser ensinado, mas meus alunos precisam de livros para treinar a leitura, de forma prazerosa e lúdica, pois só assim vai desenvolver a habilidade, assim como a escrita. Quem lê invariavelmente irá escrever bem, pode não conhecer todas as regras gramáticas com seus nomes “científicos”, mas as conhece do seu uso, do uso culto da língua encontrado na literatura. Coitado do professor que se acha a única fonte de conhecimento e o despeja sobre o aluno, nada entende de educação. O aluno precisa ter acesso à fonte do conhecimento, que é o livro. Tudo está em livros!

O livro é e foi o grande democratizador do conhecimento, a prensa de Gutenberg trouxe a preocupação dos meios universitários com a difusão do conhecimento em livros, aqueles que quisessem aprender poderiam recorrer aos livros, sem freqüentar os bancos universitários, naquela época a educação universitária iniciava aos doze anos. Pode-se aprender apenas com livros, o professor é supérfluo; para divulgar conhecimento, o livro com QI de meia samambaia plástica é melhor que qualquer professor. O educador que se coloca nesta posição exclusiva de detentor do saber é um estúpido, como ser vivente e não papel inerte o professor deve poder muito mais.

Professor não aprende por aluno, já sabe, apenas ajuda, é um mero facilitador, um interlocutor qualificado. É esta interação que livro ou tablet não podem fazer, pois só o ser vivente, dotado de inteligência pode perpetrar tal tarefa. Não é pouca, cabe ao professor passar ao aluno a paixão pelo conhecimento, o desafio do aprendizado, manter acesa a curiosidade natural do homem em conhecer o mundo onde vive. De todo “roll” de professores que tive ao longo da vida, poucos se elevam ao panteão dos bons, aqueles que me inspiraram com sua paixão. Muitas vezes fiquei inclinado a pensar que professores são seres que nascem por geração espontânea, pois muitos parecem que nunca foram alunos, brotam professores sem passarem pelas salas de aula, livros, dúvidas ou a juventude. Esquecem ou nunca foram alunos, e assim não conseguem entender aquilo que um dia foram, e ficam sem compreender os alunos, viram mini-ditadores com o menor reino do mundo: a sala de aula. Se um professor tem autoridade, esta deriva exclusivamente de sua sabedoria e da lógica, não de sua autoridade ditatorial em sala de aula.

Esta educação é vista como um processo passivo, onde o aluno é uma peça que não importa, não influencia; muda de ano outro ocupa o mesmo banco e repete-se o mesmo ritual. É preciso acabar com a passividade do estudante, ele é peça ativa e deveria ser o mais interessado em sua própria educação. É o método estúpido de educação que torna alunos interessados, curiosos e ávidos a aprender em imbecis passivos em potencial. É esta mentalidade tacanha que aumenta o número de aulas inúteis, não permitindo ao estudante o espaço necessário para pensar sozinho e seguir seus próprios projetos e interesses. Eu e meus contemporâneos tivemos muito menos carga horária do que os estudantes atuais e nossa educação não foi inferior, muito ao contrário, pode-se traçar um gráfico e mostrar claramente que junto com o aumento da carga horária veio a derrocada da qualidade do ensino. Aí os educadores idiotas, pagos com dinheiro do governo, acham que precisa ocupar a já atribulada vida do estudante com mais tempo inútil em sala de aula. Não adianta aumentar o tempo, tem que melhorar a qualidade, e para isto precisamos de uma proposta mais inteligente, que conta com o aluno como parte ativa da educação. Além disto, precisamos de melhores professores.

A arte de educar já foi muito mais valorizada, com os professores ocupando local de destaque e sua devida importância na sociedade, nas últimas três ou quatro décadas vimos uma desmoralização da classe detonada principalmente pelos baixos salários e más condições de trabalho. Hoje ninguém que se preze e que tenha um mínimo de capacidade se presta ao ofício de professor, pode auferir melhores salários em qualquer outra atividade, existem pouquíssimos que ainda se mantém por amor à profissão, são minoria, discriminados mesmo dentro de seu próprio meio. O baixo salário fez com que se direcionassem para o magistério aqueles incapazes de ocupar melhores posições, infestam os quadros escolares públicos, estáveis, imutáveis, e contra qualquer melhoria salarial dependente de mérito. Infelizmente hoje não é uma questão de aumentar salários, pois não adianta premiar estes que nunca tiveram compromisso com a educação e só a praticam por conta da estabilidade no serviço público e a incapacidade de serem cobrados por resultados. Ao mesmo tempo não é possível atrair os jovens, pois o professor iniciante só tem vaga nas piores escolas, aquelas esquecidas do poder público, só lembradas na hora de mendigar por votos em uma eleição, e logo novamente esquecidas, abandonadas, largadas à própria sorte.

Não adianta aumentar os salários dos professores enquanto esta escumalha que marca o passo do atraso na educação ainda ocupa os lugares de quem quer ensinar, com inteligência, competência e habilidade. Qual professor minimamente comprometido não vê o absurdo acontecendo em sua escola? Faltas abonadas em detrimento dos alunos e todo tipo de falha de compromisso, sem contar a baixíssima habilidade dos professores. Posso entender que são mal remunerados, mas se aceitaram o trabalho é para fazer direito ou cair fora, os alunos são vítimas e não são os culpados dos baixos salários.

O professor desvalorizado na sociedade e desvalorizando-se por sua própria incompetência, aos olhos do aluno é um fracassado, incapaz de inspirar os estudantes e sem autoridade real para manter a menor disciplina em sala de aula. É este o professor que guia o ensino, o pivô central da educação, é fácil entender o motivo da péssima qualidade de ensino, só o comprometimento com a qualidade e excelência de todas as partes pode mudar este quadro, enquanto houver complacência com a mediocridade os alunos estão condenados à ignorância.

Ao mesmo tempo o construtivismo bastardo prega uma forma de nativismo educacional, afirmando que o aluno pode por si mesmo chegar às respostas de tudo sozinho. A humanidade levou aí uns três ou quaro mil anos para aprender o que ensinamos em sala, o aluno só dispõe de uma vida, não tem como dedicar-se como Darwin e Mendel, para aprender apenas uma ínfima parcela do que deve conhecer o homem moderno. O aluno deve apoiar-se nos gigantes que nos precederam e se possível ir além, reinventar a roda não é prático, e este nativismo povoado de estúpida boa intenção só leva ao atraso, nosso conhecimento é a herança de muitas gerações de pensadores, é de suprema estupidez pensar que o aluno dispondo de apenas uma vida possa recriar tudo; deve saber procurar, pesquisar e encontrar as respostas já encontradas e as criticar de forma lógica. Isto é ensino: herança e autonomia, diferente da doutrinação estúpida comum nas salas de aula.

Professores já pouco preparados e mal pagos encontram-se na guerra entre o construtivismo utópico Paulo Freiriano e a doutrinação vagabunda pura e simples. A inteligência ou a lógica não tem espaço nesta disputa.

Não adianta inserir uma ferramenta cara e poderosa em um sistema que já desperdiça seus recursos por orientar-se por ideologia estúpida. Os tablets, assim como todos os recursos já desperdiçados serão apenas mais dinheiro jogado fora, afundando mais a educação. É preciso pensar, pensar com lógica e inteligência as bases da educação.

A primeira pergunta é: Você acredita que este governo tenha qualquer compromisso verdadeiro com a educação? Se ainda acredita nesta baboseira vou mostrar como o descaso com a educação é evidente. Houve alguma medida efetiva de tentar melhorar a educação feita pelo MEC? Não! E olha que já são quase dez anos desta farsa, qual a dificuldade? O governo tem toda a base para aprovar o que quiser, se não aprova é por que não quer. Veja que absurdo esta copa que nada deixará além de dívidas, estão até mudando as leis brasileiras para acomodar os vagabundos da FIFA, gastando dinheiro público, que falta na educação, para uma entidade privada, veja a velocidade com que ocorre e as somas gastas. Não é revoltante? O que é mais prioritário para o Brasil, uma copa estúpida de futebol ou a melhoria da educação do país?

Vou lhe dar outro exemplo ainda mais vergonhoso, a constituição em seu texto proíbe o imposto sobre livros, e para garantir que o imposto não seja cobrado de forma indireta, também isenta os insumos destinados à produção dos livros. É uma medida para proteger a indústria do papel? Não! É uma medida para permitir a livre circulação de livros, veículo de educação e idéias, é esta livre circulação que nos caracteriza como democracia. Se o governo fosse a favor da educação já teria liberado o imposto sobre o livro eletrônico e seus insumos, ou o seja: o e-reader, necessário para a leitura eletrônica. Eles não precisam mudar leis no congresso, pois a lei já está na constituição, é só querer ser a favor da educação, em vez de priorizar a copa, que tal priorizar a educação? Este atraso mostra que os especialistas do governo, regiamente pagos, não querem a melhoria da educação do brasileiro, se quisermos que isto mude deveremos fazer pressão ativa, exigir o nosso direito que é sonegado pelo governo. Cobre, exija, é seu direito, e se conseguirmos vitória será por pressão, não pelo entendimento do governo que livro é educação, pois se este existisse, o livro eletrônico já estaria sem imposto.

Vamos voltar agora à nossa sala de aula, espero que muitos mitos que emperram nossa educação já tenham sido desfeitos, assim posso continuar minha aula e usar das novas tecnologias para ajudar o aluno. O que é um tablet? Nada mais que um simples computador, lembrem-se que as escolas já possuem esta peça de mobiliário e o motivo de ser chamado de PC (personal computer) é o de ser pessoal, é para o aluno ter o seu, ainda não temos, e as iniciativas educacionais usando o aparelho são pífias, alunos sabem usar redes sociais por iniciativa própria, mas ainda não usam a ferramenta com fins educacionais, ou seja, para buscar conhecimento de forma autônoma. Algo muda com o tablet? Talvez; se todo aluno tiver o seu, pois mais enfático que o computador de mesa o tablet é ainda mais pessoal. Pode mostrar vídeos, qual o grande conteúdo educacional que temos em vídeo? Pode rodar programas educacionais, quais são estes programas? Pode acessar a internet, se tivermos conexão para todos e soubermos o que procurar. Pode ler livros; pode? O nosso conhecimento vem de uma longa tradição, está nos livros, Newton não produziu vídeos, assim como o “A Origem das espécies” está em livro, os experimentos com ervilhas de Mendel foram esquecidos, mas recuperados do livro. O que o aluno precisa para educar-se minimamente está nos livros, e novamente afirmo: para isto o e-reader é melhor ferramenta. Para o aluno primário o tablet por suas características visuais e pictóricas pode ser mais útil que o e-reader, mas a partir da terceira série o aluno precisa ter contato com a literatura de forma lúdica, para treinar leitura, a ferramenta necessária para tirar o sentido dos textos usados para transmitir conhecimento.

É preciso entender os aparelhos por sua funcionalidade e não por mistificação ignorante, o tablet me é útil em sala de aula? Sim, posso indicar material de consulta na internet para o aluno, expandir o conceito de cultura, se souber usar. Ao outro lado quero que meus estudantes leiam, por prazer e para pesquisar, encontrar conteúdo, extrair significado, e para isto o e-reader é a ferramenta, quem tem um sabe, não dá para ler textos extensos e complexos no tablet, não é confortável, só quem rivaliza com o livro é o e-reader. Dizem que estes aparelhinhos são dedicados à leitura, são! Mas o livro também não é um aparelho dedicado à leitura? Uma aparelho totalmente dedicado à leitura de um único texto? Não é a leitura a habilidade fundamental que levamos dos bancos escolares? Quem é o analfabeto? Aquele que não sabe escrever nem ler, daí não se tira a importância da literatura? Não justifica-se um aparelho a ela dedicado? O governo já gasta fortunas todo ano com livros muito mais dedicados, de conteúdo ruim, sem possibilidade do aluno “trocar” de texto.

Se você já me seguiu até aqui, podemos ir adiante, pois é necessário desmascarar todas as bobagens educacionais antes que possamos usar de forma efetiva as novas tecnologias. Já pegou um livro didático moderno? Estes que os alunos usam? Já pousei a mão em vários, o teor é uma vergonha, são livros feitos por compiladores de conteúdo, sem um texto lógico que permita ao aluno seguir o raciocínio dos pensadores que fizeram as grandes descobertas; mesmo que o aluno queira estudar sério não pode pois estes livros não dão subsídio ao aprendizado consciente, apenas à estúpida memorização sem lógica, da mesma maneira que memoriza uma letra de música, sem entender memoriza a fórmula da gravidade, e daí? Entendeu? Tem como compreender o raciocínio de Newton? Como ver onde ele estava equivocado para chegar nas descobertas de Einstein?

Estes livros didáticos são descartáveis, o conteúdo é tão inútil que não podem ser guardados como livros para consulta futura, só servem para engordar uma máquina editorial viciada no dinheiro do governo e dos pais encurralados a pagar o preço extorsivo deste material infame, sem lógica ou utilidade na verdadeira educação consciente.

O uso de tablets implica na existência de material didático apropriado, mas este não existe, assim como inexistem livros didáticos modernos bem feitos, não adianta um tablet que pode tocar vídeos, áudio, interatividade, se o material educacional não existe. Mas viemos de uma longa tradição de material em livros, tudo necessário à boa educação está em livros, foi transmitido em livros, aprendemos em livros, já está pronta, só precisamos de acesso aos livros, e novamente: nada mais útil para isto que o e-reader.

Se vamos usar um tablet para educação precisamos ver suas características com olhar técnico, o que deve ter o aparelho para ser efetivamente usado nos meios educacionais? A primeira questão é a obsolescência programada, estes dispositivos não duram muito e logo já não rodam os programas que encontram-se por aí, o governo vai substituir os aparelhos anualmente? Provavelmente não, portanto precisamos de um aparelho pensado a dar continuidade no processo educacional independente da obsolescência de mercado, muitas vezes programada, para que o consumidor seja obrigado a gastar em um novo aparelho. É necessário definir um padrão, isto o governo ainda não fez e nem tem competência para tanto. É necessário que o aparelho tenha um teclado físico, pois o virtual não é funcional, mesmo no ipad; o aluno vai precisar digitar texto, pois não tem em casa um computador pessoal. O tablet deverá ser resistente, muito mais do que os existentes no mercado, estes aparelhinhos não vão durar meses na mão dos estudantes, também minimamente à prova de umidade.  Entradas e saídas padrão, ou seja, USB e SD. Bateria para agüentar todas as aulas e ainda o estudo em casa, ampla rede de manutenção, só para falar o básico. Você viu alguém falando sobre isso? Não? Então esta compra de tablets é apenas uma piada de mau gosto, e olha que nem estou falando do software e sistema operacional que já deve vir com o aparelho, além da conectividade com internet. Veja, há muito que pensar para acolher com eficiência estes aparelhinhos na sala de aula. É muito interessante o aluno ter estas funcionalidades, mas para a educação ser universal tudo deve estar à disposição do aluno carente. Já fui ativista dos livros, mas com os preços do papel não há quem possa ter este gasto, não importando o quão entusiasmado o aluno esteja, a ele os livros são proibidos, caros, fora de seu universo.

Em sala de aula, o que mais sinto, é a falta dos livros, eles são o material de consulta, a matéria prima da educação, sem eles não há muito o que fazer, nem da parte do professor, nem da parte do aluno que não pode educar-se se tiver um professor ruim. Às vezes comentamos entre nós que esta derrocada educacional não é casual, é causal, e entramos nas mais tresloucadas teorias conspiratórias, mas se fosse casual era de esperar ao longo dos anos alguma melhora mesmo que aleatória, não ocorre, no ensino todas as iniciativas fazem a qualidade despencar, sempre. Não consigo imaginar o grau de estupidez e incompetência para não conseguir uma melhora ao menos casual, é preciso muito esforço e gasto inútil para se conseguir ser tão ruim. Os pais que colocam os filhos em caríssimos colégios particulares também não estão protegidos da estupidez, pois a ideologia eqüina do MEC permeia todo o ensino, é preciso mudar, mudar com inteligência, pois se existe um pré-requisito básico em educação este é a inteligência. Burros não ensinam nada a não ser comer alfafa, capim ou o que tiver, seja com tablets, e-readers, lousas ou apenas bons professores, é preciso pensar a educação em suas bases, sem isto toda iniciativa está fadada ao fracasso, e nossos estudantes condenados à ignorância que afundará o país.

Alex

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