Dica de Escrita #4: A Maldição de Clarice.

Clarice Lispector é um dos ícones da literatura em língua portuguesa, e por ser “brasileira”, extremamente cultuada por leitores e jovens escritores, possuidora de um estilo de escrita único, que fez sua merecida fama, destaca-se no panteão dos autores.

Por ser extremamente popular, principalmente aos que almejam ser escritores, é muito imitada, mas é preciso observar que seu estilo é indiscutivelmente pessoal, refletindo sua personalidade depressiva e “borderline”. Seus elementos estilísticos são muito marcantes, e fora de seus textos ficam evidentemente caricatos: o ciclo de idéias que vão e voltam como ondas, o diálogo interno de terceira pessoa, a definição de sentimentos indizíveis por pares de adjetivos quase antônimos e o enredo caminhando sempre para um ponto de transição interno do personagem.

Imitar um autor é sempre um problema, Samuel Beckett só ganhou nome próprio ao sair da sombra de Joyce, que por melhor ou pior que fossem seus textos, eram sempre de um Joyce de segunda linha. Ganhou nome próprio com seu trabalho particular, que bem ou mal não é Joyce.

Madame Lispector por sua escrita particular, projeta uma sombra sobre todos que a tentam imitar, não importa que copiem apenas alguns elementos, é tão particular que o estilo Clarice sobressai no texto. É a maldição de Clarisse.

Evite cair no clichê mais nefasto dos escritores brasileiros, se gosta realmente de Clarice, não a copie, invista na sua própria escrita, como ela fez.

Alex

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