Crítica & Educação

No mundo contemporâneo, utilitarista ao extremo em seu aprimoramento de relações comerciais, crítica é sempre algo pejorativo, sinônimo de propaganda negativa; no mundo literário muito da crítica pode ser apenas classificada como propaganda, variando de positiva a negativa; falta-lhe o insumo básico do qual uma crítica verdadeira é constituída: argumento.

Propaganda vende verdades, mesmo que falsas, não se presta ao debate, nem a ouvir seus interlocutores. A crítica que camufla em suas palavras apenas propaganda é inútil, vazia; sem argumentos sólidos não diferencia-se do comercial mais vigarista de shampoo, infelizmente hoje grande parte da crítica é apenas isso. O que existe por aí, inadvertidamente chamado de crítica, fala da vida do autor, irrelevante para a obra, ou a colocação de suas idéias frente a teorias psicológicas ou ideários marxistas, pura embromação, deve-se ver o que está na obra em questão e não fora dela. É dos elementos existentes no texto que deve vir o argumento para a crítica, e a partir dele feitas comparações, com propriedade, não simples opiniões ignorantes. Para isto o crítico deve ter inteligência para uma leitura analítica do texto, percebendo suas características, que serão os argumentos de partida a uma análise séria.

Seria muito simples diferenciar a verdadeira crítica da propaganda disfarçada, se não houvessem truques dialéticos e relativismo barato, tentando mimetizar a argumentação lógica. Muitos ainda diriam que a razão, exercitada pela lógica, não é definitiva nos argumentos, pois existem condições emocionais e místicas que não pertencem aos domínios da razão. O homem é racional, os animais irracionais, quem sabe mais talhados à poesia, providos do seu raciocínio não lógico. Não! Esta poesia que se furta à análise não é coisa do gênio humano, apenas resquício do instinto animal, ou mais uma forma de ludibrio. O misticismo furta-se ao debate, prefere o conforto do obscurantismo, também um dos esconderijos dos incompetentes.

Usam crítica para fazer propaganda, como ferramenta de doutrinação ao invés de educação, a isto não se deve considerar verdadeira crítica, pois a matéria real fomenta a educação, não a vigarice embutida na doutrinação. É fornecendo argumentos que podemos avaliar uma obra, colocando-as lado a lado com o passado histórico da arte e da literatura. É ao leitor que nosso argumento deve ser exposto, comentado, deixando a ele um julgamento consciente para avaliar nosso veredicto, não deve o leitor acreditar em tudo que lê se a pertinência dos argumentos inexiste. A boa crítica educa autor e leitor, enriquecendo a arte, já a doutrinação, sem argumentação fundada na base lógica, se presta apenas a objetivos escusos que sempre diminuem o que pode ser chamado arte.

É sobre os argumentos que se processa o debate, é tarefa dos críticos extrair da obra usando de olho treinado, os elementos que constituem a arte do autor, e apresenta-los ao leitor. É sempre sobre os argumentos que se processa qualquer embate verdadeiro de idéias; deve-se ficar atento aos que fogem do argumento, com receio de ver seu engodo exposto, nada de bom tem a contribuir, apenas tentam uma doutrinação estúpida.

Aprenda a ver a crítica pela pertinência de seus argumentos, verá aí um caminho virtuoso, pavimentado de lógica para chegar à transitória razão. Crítica não é positiva ou negativa, é sobretudo pertinente e verdadeira, e se assim feita, fomenta a educação.

Alex

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