A Pequena Estória do Conto

Na escola peguei certa birra com o gênero conto, professores nos impingiram vários volumes da famigerada coleção “Para Gostar de Ler”, que todos nós alunos apelidávamos de: “Para odiar ler”; muitos irão contestar-me, não existe o “gênero conto”, pois conto significa apenas uma estória curta, contos de Tolstoi tem mais de duas centenas de páginas, outros contistas nem meia, gênero bem difícil de catalogar; mas posso afirmar, no Brasil, o conto virou um gênero, pois na categoria não há humor, policial, ficção científica, fantasia, é apenas o gênero conto. Stanislaw Ponte Preta escrevia estórias curtas, eram contos, mas desta maneira não eram chamados, assim como outros que também gosto: Conan Doyle, Poe, Lovecraft. Não sei quando este gênero conto brasileiro iniciou, mas era a definição de conto da escola e ainda hoje é o estereótipo predominante.

O conto já foi apenas a imprecisa definição de uma estória curta, com a explosão das revistas no século dezoito e dezenove, o espaço nas publicações para estórias curtas foi grande e serviu para início de carreira para muitos grandes escritores. A estória curta era o entretenimento dos periódicos e logo publicações especializadas apenas em estórias curtas proliferaram, eram estórias para se ler em “uma sentada”. Existiram publicações especializadas em estórias curtas de vários gêneros, sci-fi, policial, estórias românticas, até revistas especializadas em “contos literários”, algumas de muito prestígio, promovendo novos autores antes desconhecidos do grande público.

Com o tempo as estórias curtas foram desaparecendo, havia mais opções de entretenimento, o papel foi encarecendo, as matérias jornalísticas encolhendo em palavras profundidade e conteúdo, o espaço da estória curta desapareceu, restando quase que apenas o conto literário já estereotipado e a estória pornô.

É difícil saber se a explosão do conto deu-se pelo espaço dado à estória curta ou à profusão de autores, mas, eis que agora, com o e-reader, a fôrma literária embutida no papel desvaneceu, o meio eletrônico aceita sem preconceito todo tamanho de texto, de uma a milhares de páginas sem o aumento do custo de impressão, distribuição e toda cadeia física que a diferencia do papel, mas com o conforto e intimidade da leitura em papel.

O conto é uma grande fonte de entretenimento, por seu limitado tamanho pode encaixar-se nos momentos do dia roubados dos afazeres cotidianos, acho que está na hora das pequenas estórias policiais, ficção científica, fantasia e muitos outros gêneros que não seja apenas o conto brasileiro voltarem a circular, só é preciso quem as escreva com um mínimo de habilidade. É um formato difícil, exige do autor concisão e consciência, é um treino ideal para as grandes estórias.

Alex

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