Dica de Escrita #3: Escreva!

Esta é mais uma da série: parece óbvio, e é. Muita gente fala que gosta de escrever, ou gostaria, mas nunca nada vai ao papel, tem grandes idéias, sonhos, e no momento de encarar a mítica página branca, a sinceridade alva leva a melhor. Esperam a inspiração, o encontro com as musas, ao sentar para escrever ambas rapidamente lhe abandonam, e a página continua em sua candura imaculada.

Para vencer este problema, que parece ser patológico entre os que dizem querer escrever, só há uma solução: escrever. Sim, colocar algo no papel, ler, reler, corrigir, mudar até que a frase esteja completa e o parágrafo terminado, se ainda usa estas convenções métricas pequeno burguesas. A inspiração e toda esta baboseira que falam é matéria de sonho, é uma escrita idealizada que choca-se com a realidade do ato: representar idéias unindo palavras, escrever nada mais é do que isto, e se esta simples tarefa não for feita não é possível escrever. Como uma caminhada a escrita acontece letra a letra palavra a palavra, cada passo é necessário, não há mágica, não existem atalhos. É a realidade, choca-se com o escritor sonhador, acha que ao empunhar a pena ou equipar-se para a batalha atrás do teclado será tomado por possessão mágica e o texto sem seu conhecimento sairá de seus corpos e fluirá ao meio físico, pronto, polido em sua versão definitiva. Escrever é como qualquer outro artesanato, não pode ser industrializado, automatizado, é preciso pegar a matéria bruta das idéias e lapidá-la na forma de palavras que compõem frases, parágrafos e livros completos; tal qual gema bruta, que não mostra sua beleza ao mineiro, precisa ser cortada, trabalhada e polida para mostrar qualquer brilho.

Enquanto as idéias estão no campo dos sonhos, são elas perfeitas, idealizadas, quando aterram no papel lemos, a realidade vem à superfície, a nossa realidade divorciada do sonho; para muitos isto é um choque, uma contradição de versões, como alguém tão inspirado pode escrever algo tão pobre e ruim. Se chegou a este ponto já caminhou bem, pois é só descobrir o motivo de sua escrita não condizer com as idéias; na micro-mecânica da escrita, vá polindo os textos e aparando as arestas, agora não há espaço para inspiração e sim para trabalho, estudo, tentativas e aprendizado até manejar as ferramentas do escritor.

Se fica vexado com o que escreve é por que já leu algo melhor, imaginava escrever como os autores que te maravilharam, mas eles já tem mais tempo de estrada no ofício de juntar palavras, transformar sonhos em realidades. É fácil sonhar, dá trabalho transformar idéia em substancia, mas sem esta habilidade artesã é impossível escrever. É você que precisa afiar suas ferramentas de escrita e dar corpo a imaginação.

E aqui entra imperativamente o que já disse, é preciso ler para escrever, mais do que saber gramática é preciso ter cultura literária, é ela que lhe dará parâmetros a saber o quão ruim escreve e a direção para melhorar, sem isto pode escrever, gostar do que escreve, e muito provavelmente, por falta de critério, sua escrita será uma bela porcaria.

Ao colocar as palavras no papel vai enfrentar o dilema que todo escritor enfrentou, terá de encontrar maneiras de suas frases representarem seu sonho, materializar as idéias, e assim como todos os outros escritores criar uma ponte que liga o imaterial ao mundo da realidade, permitindo que outros usem este caminho, possam embarcar em seu sonho não mais solitário.

Alex

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