Dica de Escrita #2: Revise!

Saí do colégio pensando: quem escreve bem escreve de primeira, não revisa, sai tudo pronto, acerta tudo; além disso, apesar de ser obrigado a ler os clássicos nacionais em idade imprópria, saí com a noção que escrever bem é só acertar a gramática. Nada mais longe da realidade da língua. A gramática é o mínimo do mínimo, se não tiver fortíssimos motivos a violar, melhor seguir a norma; escrever é muito mais que a gramática, grandes escritores não tem seus textos prontos da primeira vez que abandonam o papel: revisam, revisam à exaustão antes de deixar alguém passar os olhos sobre o texto. Se pesquisar um pouco encontrará relatos do processo de revisão de Hemingway, Joyce, Faulkner, Stephen King e muitos outros; revisão é necessária, obrigatória e infelizmente muito chata. Ler o mesmo texto muitas vezes é frustrante, e inúmeras vezes improdutivo. Escrever é fácil, revisar é o inferno.

No momento da escrita, idéias da cabeça vão ao papel ou ao computador, sabemos o que queremos dizer, o significado do que escrevemos, não significa que nosso pensamento esteja claro e correto para quem lê. Ao reler o texto que escreveu, tendemos a não ler, é um processo de memória, não estamos analisando o texto e sim usando-o para relembrar o que escrevemos e assim nos passam despercebidos erros grosseiros.

A maioria dos escritores gosta de deixar o texto descansar antes de revisar, um mês, três, um ano, o método de trabalho varia, mas este tempo para esquecer o texto e ver as palavras com olhos frescos parece essencial. É muitas vezes frustrante deixar um texto descansar para ver a enorme quantidade de erros crassos que deixamos passar, pior ainda é: depois de revisar, deixar o texto descansar novamente para encontrar mais erros, absolutamente terrível, infelizmente comum, mesmo a grandes escritores, alguns são obsessivos no processo, publicam o livro para não mais o revisar. Nas editoras mais mequetrefes o texto sofre no mínimo mais três revisões por pessoas diferentes, e mesmo assim erros passam. Lembro de quando trabalhava em uma pequena editora, época em que imprimir em cores era caro, tínhamos acabado de receber a prova da capa de um livro da gráfica, fui ler o texto e lá estava, um erro grosseiro de português no verso do livro, não tem jeito, todo o dinheiro gasto nos fotolitos foi ao lixo.

Estamos na internet, não há tempo de deixar qualquer texto descansar, o que fazer? Tenho uma dica simples que ajuda, troque a fonte, releia o texto em uma fonte muito diferente da que usou para escrever, não é à prova de falhas, mas ajuda quebrar nosso hábito de memória ao ver tipos diferentes. Quem escreve no papel para depois digitar tem já uma ótima perspectiva de revisão. Outra dificuldade que às vezes me surge ao escrever no computador é a grafia correta de certas palavras, fui educado no manuscrito não digitando caracteres em um teclado, nestas dúvidas mantenho um caderninho ao lado e escrevo a palavra, apesar de não lembrar letra por letra a grafia correta, minha mão de tanto escrever e ser corrigida, escreve certo sem que eu mesmo saiba, é o hábito.

A internet é uma grande possibilidade de desenvolver a escrita, pense tudo que escrever, é um exercício constante, pense até o bilhete do padeiro.

Alex

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