Ebooks, E-readers e Alta Literatura

Quando você dedica um pouco mais de seu tempo para leitura logo começa a notar certo empobrecimento nos livros mais novos, é como se os mestres da literatura tivessem ficado sem herdeiros ou desafiantes. Há uma morneza enfadonha naquilo que é publicado em nosso tempo, será que o homem moderno tornou-se mais tedioso que o de setenta anos atrás? Vivemos em mundo mais diverso, temos acesso a cultura e conhecimento em velocidade que nossos antepassados não imaginariam, e ainda assim, somos mais aborrecidos?

Há algo que não se encaixa nesta equação, os sinais estão invertidos, deveríamos ter literatura mais viva, inovadora, provocando o leitor. Novos escritores desafiando Hemingway, Virginia Woolf, Joyce, Faulkner e Pessoa. Tudo que vejo são escritos ajoelhados de fronte aos mestres sem nunca levantar os olhos para tentar ver-lhes a face, uma grande quantidade de impostores, bem ou mal intencionados. Não é exatamente culpa do escritor, mas sim do livro e deste animal estranho e raro chamado alta literatura.

Esta resma de papel chamada livro já foi veículo de idéias, literatura, inovação, agora infelizmente é apenas um produto, como outro qualquer, com o mesmo objetivo de todos produtos: vender mais.

Produto para ter mercado e vender mais precisa agradar a maior percentagem do público possível, é por isto que filmes modernos empacotam na mesma estória aventura, romance, comédia e drama, um pouco para todos, mas nada do melhor para um. O livro também é produto, e alta literatura é algo que atrai poucos, se o autor já é famoso muitos vão comprar o livro, mas não irão ler. E se o autor de alguma maneira não tiver fama, a dificuldade inerente na linguagem dos que desafiem os velhos cânones, será obstáculo intransponível para sua divulgação.

O livro não é mais veículo de alta literatura, ela tem uma escala menor do que exigem os editores. A boa notícia é que o ebook e o e-reader não tem estas limitações, autores podem ousar experimentar, inovar e assim desafiar os velhos clássicos que ficariam encantados com esta batalha. Já pode o autor escrever pensando na arte, esquecer tabelas mercadológicas ou a visão comercial dos editores; não dá para viver disto, mas dá para viver por isto.

Alex

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