E-Reader Não é Livro, é Biblioteca

A maioria dos que agora já possuem um e-reader são leitores freqüentes, pessoas cultas e conectadas com a tecnologia e seus benefícios. Os usuários de tablets podem ser apenas tecno-aficionados, mas o e-reader só supera outros aparelhos em seu conforto de leitura, é para o leitor já habituado a ler no papel que a novidade tem apelo. O preço do e-reader no Brasil ainda é absurdo, mas mesmo neste patamar extorsivo, se o leitor é grande consumidor de livros o meio digital ainda é grande economia. Ter na mão um e-reader é poder ler todos os livros em domínio público, a maior parte da alta literatura encontra-se neste status, é como se adquirisse ao mesmo tempo uma enciclopédia com todos os clássicos mais importantes da literatura.

Se não me engano o kindle tem 3Gb de memória e a Amazon lhe atribui capacidade de 3500 livros, dependendo de sua idade é uma vida de leitura, mas se quiser exorbitar tem leitores que aceitam expansão para até 64Gb, são 75000 livros pelas mesmas contas da Amazon. É muito livro! Se comprar o e-reader e não gastar nada em livros, só no domíno público pode ficar lendo por alguns anos, há para todos os gostos, alta literatura para momentos de mente fresca, livros mais leves para a cabeça cansada ou os períodos antes do sono.

Quem já tem o hábito de passear por aí com um livro sabe quanto três títulos pesam, 3500 livros assim como 75000 são apenas números, certos confortos modernos nos atingem e nem percebemos, achamos simplesmente normal. Sou do tempo do LP, saíamos para a casa dos amigos para escutar música e quando muito carregávamos cinco discos debaixo do braço; quando saíram os mp3s, um aparelho que portasse vinte LPs já era um absurdo, ia viajar com o meu walkman com três K7s quando muito e várias baterias, hoje meu aparelhinho é do tamanho de um dedo, cabe mais de uma centena de álbuns e a única bateria AAA recarregável dura umas 16 horas. Às vezes imagino a cena patética de andar por aí carregando uma centena de LPs todo dia. Em minhas estantes cabem cem livros por prateleira ou duzentos em fila dupla, cada uma tem cerca de sete prateleiras, tenho cinco estantes, só no kindle cabe duas estantes e meia! Nos 64Gb cabe dez vezes o que possuo de livros! Com um e-reader ganho um cômodo extra em minha casa.

Enquanto nos preocupamos com mazelas indecentes de uma FIFA, com uma copa que nada nos trará além de dívidas, o livro está esquecido, preterido. A simples normatização do que já prega o espírito da constituição tem andamento muito menos preferencial que as questões da bola, cada dia que passa com acesso restrito à literatura é um passo no nosso subdesenvolvimento em um mundo em constante mudança de requerimentos crescentes, cada dia o brasileiro é menos cidadão.

Há em nossa carta extrema boa intenção:

“DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
VI – instituir impostos sobre:
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.”

O e-reader é o espírito contemporâneo do livro, através dele podemos ter uma porta de popularização da literatura, não podemos continuar um país onde literatura é item de status, não é o que reza nossa carta.

Alex

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