Ler é Bom?

Está aí uma pergunta que um leitor já sabe a reposta sem pensar muito, ler não é apenas bom ou conveniente, é ótimo. Filme, teatro, videogame, nada se compara ao livro, é mais vivo, envolvente, uma experiência mais intensa, muito mais intensa que outras formas de contar estórias, supera o próprio contador de estórias; quem conseguiria sentar ao lado do Sr. Tolstoi e ouvir todo o Guerra e Paz? O livro é uma ligação direta da cabeça do autor com o leitor, não tem limitação, podemos ver seus pensamentos se assim o deixar, ser enganados por visão falsa, caminhar na lua ou viver no fundo dos oceanos.

Se a resposta é óbvia, qual o motivo da pergunta? Muita gente começou na trilha dos livros pelo caminho errado, lendo por obrigação não por prazer, culpa do nosso currículo escolar impróprio aos jovens, quase todos os clássicos brasileiros são péssima escolha para os iniciantes, não conseguem conversar com leitores de pouca idade ou experiência, resultando em preconceito, ler é tarefa chata, ruim e obrigatória; não acredito que haja pior crime cometido pela educação, este preconceito vai assombrar o aluno pelo resto de seus dias, tornando-o impermeável a todo o universo literário.

Ler não é algo inato encontrado em nossos genes, é preciso aprender a ler, o significado das letras, sílabas e palavras, frases e inflexões, não é simples. Mesmo depois que aprendemos o básico ainda não somos bons leitores, é preciso treino, prática de leitura recheada de muito prazer, só assim poderá o aluno familiarizar-se com a leitura e receber esta incrível dádiva deixada por milhares de autores ao redor do mundo. Ler é bom quando o assunto nos interessa, não existem gostos universais, assim, é absolutamente necessário deixar o leitor jovem escolher seus temas, um livro técnico sobre dinossauros pode ser delicioso na mão de quem gosta do assunto, penoso nas mãos de quem não se interessa.

Só é necessário um livro, um único livro, lido e apreciado,em meu caso foi junto do capitão Nemo que me apaixonei pela leitura, lembro até hoje o momento, foi em uma aula de biblioteca de escola pública; estantes com livros divididos por série, carpete no chão e muitas almofadas, na estante da primeira série estavam os livros “próprios” para nossa idade, fininhos, cheios de patinhos amarelinhos, irk! Aquilo não me interessou, em outra estante tinha algo muito mais interessante, um polvo gigantesco brigando com três homens, era aquele que eu queria ler, não adiantava querer me empurrar o livro dos patinhos, aquilo não interessava a um garoto que brincava na rua. A professora não concordou, mas fizemos um trato, se eu lesse A Vaca Voadora, depois poderia ler o outro livro. O livro da vaca era engraçadinho, li em dupla como era o protocolo, eu e meu amigo Ciro, fizemos o trabalho, próxima parada: Julio Verne, não consegui me conter, pedi a meu pai que comprasse o livro, não sabia mas era o original, muito melhor que a versão recontada que líamos na biblioteca acarpetada. Finda a estória ficamos com gosto de quero mais, partimos para uma viagem à lua e depois para as profundezas da terra.

Através da leitura tive inúmeras aventuras, para quem gosta de ler o livro sempre supera o filme da mesma estória, não há comparação possível, assim, se um filme é baseado em livro, quase sempre leio antes, a experiência é milhares de vezes mais intensa. Afirmo categoricamente, ler é muito melhor que assistir um filme. Foi pela leitura que escalei as montanhas dos alpes com Lionel Terray, mesmo com seu pai dizendo que não encontraria lá no topo uma nota de cem francos; estive presente ao lado do capitão Slocum enquanto passava mal com queijos que comera, deixava o leme de sua embarcação nas mãos de um dos competentes marinheiros de Colombo; vagueei por Londres na companhia de Watson e me maravilhei com as magníficas faculdades dedutivas de nosso amigo Holmes; acompanhei um dia arquetipicamente heróico com o jovem Stephen Dedalus e o Sr. Bloom e ainda vi nas terras russas homens em paz procurarem a excitação da guerra e na guerra almejarem a quietude da paz; junto ao jovem Harry me maravilhei com o mundo da magia invisível aos lesados(muggles). Quem não lê será sempre um lesado, incapaz de ver a magia dos livros.

Alex

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